quarta-feira, 6 de abril de 2016

Somos 140 milhões

Sete em cada dez brasileiros querem que Dilma tenha seu mandato abreviado. É majoritária na população a constatação de que a presidente não tem mínimas condições de permanecer por mais dois anos e nove meses no cargo. Mas o governo e o PT agem, vociferam e esperneiam como se esta imensa maioria fosse apenas um grupelho sectário.

Nos palanques, em atos oficiais e mesmo nas peças legais que deveriam servir para a defesa da petista no processo de impeachment, a narrativa oficial espanca a realidade, nega o óbvio e tenta, sobretudo, enganar a opinião pública. Às favas com os fatos, porque o que lhes interessa é vencer a guerra, custe o que custar.

Foi assim, por exemplo, na defesa que o advogado-geral da União fez de Dilma ontem perante a comissão do impeachment na Câmara. Funcionário público pago pelo povo, José Eduardo Cardozo foi ao Congresso fazer proselitismo político. Limitou-se a repetir o discurso do “golpe” e a forjar supostos desvios em liames processuais. O mérito das denúncias que pesam contra a presidente, ele preferiu ignorar.

Provavelmente, Cardozo não teria como negar que Dilma manipulou o Orçamento da União para enganar a população e buscar um novo mandato. Também não teria como sustentar que as pedaladas fiscais serviram para bancar programas sociais, quando até oficialmente o governo já admitiu que foram usadas em empréstimos a grandes empresas. Das omissões da petista no esquema de corrupção na Petrobras, ele nem passou perto.

Enganosa também é a peroração de Lula, dia sim, dia também, pelo país afora pregando que as supostas conquistas dos governos do PT estarão em risco em caso de impeachment de Dilma. Parece referir-se, como é seu costume, a uma realidade virtual, no mesmo momento em que a recessão econômica se encarrega de jogar milhões de famílias brasileiras no desemprego e na pobreza.

No Nordeste, o ex-presidente chegou ao caradurismo de dizer que a região deve a ele por “projetos estruturantes” realizados nos seus oito anos de governo. Deve estar se referindo, talvez, à bilionária e inconclusa refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, uma das fontes do petrolão, ou, quem sabe, à nunca terminada transposição do rio São Francisco.

Dilma, por sua vez, não deixa por menos. No Palácio do Planalto, dedica-se, igualmente dia sim, dia também, a atos panfletários e à repartição do que sobrou de seu governo, na forma de butim. Sem nenhum pudor, transformou educação, saúde e o que mais houver à mão em moeda de troca no jogo da baixa política. O governo “popular”, “progressista” e “de esquerda” só mantém esperança de sobreviver nas mãos do pior fisiologismo.

Na bacia das almas, em clima de fim de feira, governo e PT atuam como se não houvesse amanhã. Mas, no Brasil real, há pelo menos 140 milhões de cidadãos ciosos do destino que aguarda a nação, sedentos por mudança e horrorizados em ver o país estraçalhado nas mãos dos petistas. A maioria somos os que queremos o impeachment de Dilma Rousseff. Quem deve se sentir acuado são eles, a ruidosa minoria, não nós.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Ontem, hoje e amanhã

A nova fase da Operação Lava Jato investiga o fio condutor que alinhava a forma petista de governar. Desde que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu assumiu as primeiras prefeituras pelo país afora, ainda nos anos 1990, o padrão se repete: os cofres públicos são assaltados para financiar seu projeto de poder. Com o passar dos anos, o que mudou foi apenas a dimensão do roubo.

Personagens que o PT preferia que fossem esquecidos ressurgem agora como fantasmas a assombrar o partido. É o caso do ex-prefeito de Santo André, Celso Daniel. Ele foi morto quando se preparava para coordenar a campanha de Lula à presidência da República, em 2002. Até hoje a polícia não conseguiu esclarecer se seu assassinato foi uma encomenda – versão que a família de Daniel sustenta e as mortes em série durante as investigações corroboram – ou crime comum.

Assim como José Dirceu foi ao inferno e voltou com o mensalão e o petrolão, agora também é a vez de Silvio Pereira, ex-secretário geral do PT, ressurgir no noticiário. Mesmo flagrado no escândalo da compra de votos punido em 2012 pelo STF, ele teria sido contemplado com mesadas bancadas com dinheiro desviado da Petrobras para ficar calado. Vale lembrar que, ainda em 2006, numa entrevista ao jornal O Globo, ele deixou claro o que tanto temia: “Eles [o PT] vão me matar”.

A nova leva de investigações também joga luz no submundo das relações entre o PT e concessionários de serviços públicos, um hit recorrente na trajetória política do partido. Desta vez, o alvo é o dono de um jornal e de linhas de ônibus urbanos no ABC Paulista. Mas estão vívidas na memória dezenas de denúncias de manipulação de contratos de coleta de lixo e de transportes públicos em municípios onde petistas governam ou governaram.

Outro ponto comum é o envolvimento de Luiz Inácio Lula da Silva com presentes e mimos de amigos. No escândalo da vez, José Carlos Bumlai é o vértice dos desvios que azeitaram a corrupção no ABC. Mas, nos anteriores, o papel cabia sempre a Roberto Teixeira, o compadre de toda hora do líder petista.

As mesmas suspeitas que envolvem o tríplex do Guarujá (SP) ou o sítio de Atibaia repousam sobre a cobertura onde Lula vive em São Bernardo do Campo. Depois de morar anos de favor em um imóvel de Teixeira, o petista fechou a compra do imóvel num negócio até hoje nebuloso e jamais esclarecido. São falcatruas que se repetem.

Numa coisa, porém, o PT mudou ao longo de seus 36 anos de história. O partido nascido para defender os fracos e oprimidos cuidou muito bem de encher os bolsos de seus líderes, transformando o roubo numa causa política. Como as ambições foram crescendo, também os valores escalaram e o PT tornou-se protagonista do maior escândalo de corrupção do mundo. De assalto em assalto, chegou ao topo, seu sonho de ontem, de hoje e de amanhã.

sábado, 2 de abril de 2016

Dia da mentira, dia de Dilma

Dilma Rousseff notabiliza-se por ser um dos presidentes da República mais embusteiros da história. Suas alegadas qualidades se revelaram uma farsa, sua capacidade de enfrentar e resolver problemas nunca passou de miragem. O país que vendeu aos brasileiros para conseguir mais quatro anos de mandato jamais existiu. Para tentar continuar no cargo, continua mentindo descaradamente.

Dia sim, dia também, a presidente promove atos no Palácio do Planalto para vocalizar a estapafúrdia tese urdida pelo PT de que estamos à beira de um golpe de Estado. Em governar que é bom, ela já deixou de pensar há muito tempo... Dilma tortura argumentos para dizer que os crimes que cometeu todo mundo comete – o que, não fosse antes uma falácia, não os livra de serem crimes.

Mas a petista não se limita a negar o óbvio: ter fraudado o Orçamento da União para forjar uma realidade de mentirinha que empurrasse a crise econômica com a barriga e não atrapalhasse seus planos de se manter no poder por mais um mandato presidencial. Dilma vai além e também ressuscita o discurso que o marketing petista pôs em prática na campanha de 2014 e dedica-se com afinco a atemorizar os mais pobres com a perda de direitos, caso seja afastada do cargo.

Nesta semana, ela disse que, se o impeachment triunfar, estarão ameaçados os direitos sociais conquistados nos últimos anos, tratando-os como propriedade exclusiva do PT. Afirmou também que sua saída do cargo vai resultar no retardamento da retomada do crescimento econômico e da superação da recessão monstruosa em que estamos metidos. Dilma deixou de agir como presidente para agir como panfleteira, e isso é literal.

A petista levou para pronunciamentos oficiais os mesmos argumentos falaciosos que seus partidários – como a CUT e a Frente Brasil Popular – distribuem em papeluchos rastaquera Brasil afora com intuito de amedrontar os brasileiros, sobretudo os mais pobres que têm menor acesso a informações isentas e imparciais. É a mesma estratégia do terror posta em marcha pelo PT a cada eleição, e que ora está de volta.

Dilma e seus porta-vozes, gente com todo tipo de título, mas com nenhuma vergonha na cara, tentam a todo custo esconder a realidade. A retirada de direitos já começou, o cotidiano de privações já está sendo experimentado por milhões de brasileiros, os retrocessos na trajetória de diminuição da desigualdade social já se materializaram no ano passado e vão continuar se o país não conseguir se livrar rápido do PT.

A presidente que começou seu governo travestida de “faxineira ética”, um dos engodos que desmoronou mais rapidamente, agora rifa seu governo na bacia das almas em troca de votos contra o impeachment. A mandatária que intimida os pobres com a perda de direitos é a mesma que ninou os ricos com bilionárias bolsas-empresário. Aquela que diz que “não vai ter golpe” levou o país ao buraco mais fundo de sua história, golpeando o futuro de milhões de brasileiros. Dilma merece todo um dia de homenagens para si: o dia da mentira.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Não vai ter golpe mesmo

Este 31 de março será explorado à exaustão pelos partidários do governo mais corrupto e incompetente da história brasileira para sustentar que a presidente da República é vítima dos mesmos ardis ilegais que nesta mesma data, 52 anos atrás, levaram à ditadura militar. Mas eles podem ficar tranquilos: ao contrário de 1964, agora não vai ter golpe. Vai ter impeachment, tudo dentro da mais estrita legalidade.

Esta gente pouco numerosa (basta sempre lembrar que, nas manifestações deste mês, para cada apoiador do governo que foi às ruas houve 13 oposicionistas protestando), mas barulhenta, acha que as razões que sustentam o pedido de afastamento de Dilma não são suficientes para o impeachment. O que mais eles querem? Entre os crimes passíveis de serem cometidos, a petista só faltou matar alguém.

A lei que lista os crimes de responsabilidade puníveis com impeachment é pródiga, comportando afrontas de diferentes aspectos que merecem ser castigados com a perda do mandato. Mas a peça acusatória em análise no Congresso vale-se de apenas alguns deles para justificar o afastamento. São mais que suficientes para que qualquer nação digna do nome se livre de mandatários cujos atos são incompatíveis com o cargo que ocupam.

No pedido apresentado por Hélio Bicudo, Janaína Paschoal e Miguel Reale Júnior, a presidente é responsabilizada por desrespeitar a lei orçamentária; fraudar as contas públicas em cerca de R$ 106 bilhões; e ser omissa e conivente com o esquema de corrupção que pode ter surrupiado algo como R$ 42 bilhões da Petrobras – empresa na qual Dilma presidiu o conselho de administração por sete anos, durante os quais avalizou todos os negócios desastrosos que transformaram a estatal na ruína que é hoje.

Os partidários da presidente dizem que estas não são razões suficientes para afastá-la do cargo. Como não? Há algo mais basilar nas funções de um presidente da República do que bem aplicar o dinheiro que recolhe dos contribuintes por meio de tributos? O que, no fim das contas, faz qualquer governo senão alocar os recursos públicos disponíveis para atender as demandas e necessidades da população?

Esta gente que (ainda) defende Dilma acha que assaltar o Orçamento, como Dilma fez para forjar um país de mentirinha com vistas a obter sua reeleição, é, no máximo, um mal menor. São argumentos indigentes na linha do “rouba, mas faz”, do “um tapinha só não dói” ou do “se todo mundo fez, eu também posso”. É a moral da bandidagem.

Se as acusações contidas na peça em apreciação no Congresso são consideradas pouco, juntem-se a elas as alegações do pedido que a Ordem dos Advogados do Brasil protocolou na Câmara nesta semana.

Nela, a presidente também é acusada de tentar obstruir o trabalho da Justiça ao interferir nas investigações do esquema de corrupção; de conceder isenções fiscais à Fifa por ocasião da Copa do Mundo de 2014 sem considerar o impacto extremamente negativo nas contas da Previdência, cujo rombo explodiu desde então; e de buscar manipular as investigações conduzidas pela Operação Lava Jato com a tentativa (frustrada) de prover foro privilegiado ao ex-presidente Lula. É pouco ou quer mais?

O processo que pode resultar no impeachment de Dilma tem sido conduzido na mais estrita legalidade, seguindo o que estabelece a Constituição e obedecendo aos ritos determinados pelo Supremo Tribunal Federal no início deste mês. Tudinho dentro da lei. 

Nele, a presidente terá todo o direito de apresentar sua defesa e suas alegações. Caberá aos 513 deputados e 81 senadores julgar quem tem razão. Se perder no voto, Dilma sai; se vencer, fica. A menos que os petistas estejam planejando não cumprir o que o Congresso decidir, onde está o golpe?

Dilma é a presidente que mais foi alvo de pedidos de impeachment na história: há 35 impetrados apenas neste segundo mandato, que começou há um ano e três meses. Outros 14 foram protocolados no Congresso entre 2011 e 2014. Os números não destoam do que pensam os brasileiros em geral: rejeitam amplamente a forma de a petista governar e suas políticas públicas, segundo o Ibope, e, para 68%, ela deve ser objeto de afastamento do cargo, conforme o Datafolha.

No apagar das luzes de seu governo, Dilma Rousseff converterá cada nova cerimônia no Palácio do Planalto em comitê de campanha e o púlpito que lhe é destinado em palanque eleitoral, como fez ontem e deve voltar a fazer hoje. Provavelmente, em todos os seus discursos ela e a claque do dia – que varia conforme o gosto – gritarão que “impeachment sem crime de responsabilidade é golpe”. Têm toda a razão. Há carradas de motivos para que a petista seja apeada do cargo. Sem nenhuminha sombra de golpe.