Donald Trump não levou muito tempo na cadeira para começar a cumprir algumas das promessas que o levaram a eleger-se presidente dos Estados Unidos em novembro. Pior que assim seja. Algumas destas iniciativas representam retrocessos lamentáveis na marcha de integração global.
No discurso com que tomou posse como 45° presidente norte-americano, o republicano não deixou dúvidas sobre a que veio: o lema de seu governo será “a América primeiro”. Quase não se viu traços de líder global, papel que naturalmente cabe ao chefe da nação mais poderosa do planeta, nos seus pouco mais de 16 minutos de fala na sexta-feira.
Nos dias inaugurais de sua gestão, Trump frustrou os que esperavam que suas bravatas tivessem estancado com o fim da campanha eleitoral. E brindou à altura eleitores que esperam dele o máximo de ousadia em levar adiante um coquetel de ações voltadas a refrear o viés mais liberal que marcou os anos recentes.
Em especial, é muito negativa a decisão, tomada na segunda-feira por meio de decreto, de retirar os EUA da negociação da Parceria Transpacífica, atualmente em tramitação. Trata-se da criação da maior área de livre comércio do mundo, envolvendo 12 países, entre eles o Japão e a Austrália, e 40% do PIB global.
Sem os americanos, o chamado TPP ficará fadado ao fracasso – a menos que se confirme a sua substituição no acordo pela China, no que seria uma reviravolta capaz de abalar a geopolítica mundial atual.
Para o Brasil, as primeiras consequências podem ser positivas. Mas pelo lado negativo da questão. Se a iniciativa liberalizante do TPP prosperasse, o país, que há mais de uma década enredou-se numa política externa anti-integração, veria estreitar-se ainda mais seu espaço comercial no mundo. Sem ela, resta alguma margem – pequena, porém.
Mais protecionismo, como o fim do TPP tende a exprimir, representa menos comércio, menos negócios, menos geração de riqueza, trabalho e bem-estar. A agenda do isolacionismo nacionalista, como a que norteia a política de Trump, está na raiz de debacles econômicas, como a experimentada atualmente pelo Brasil.
Mais protecionismo redunda também em menos negócios externos. Para o Brasil, particularmente ruim, posto que dos EUA provêm cerca de 20% dos investimentos estrangeiros diretos feito aqui – que neste ano devem cair algo como 11%, voltando ao nível de 2013, de acordo com previsões constantes do Boletim Focus do Banco Central.
Um mundo mais fechado, como a saída do Reino Unido da União Europeia também expressa, não interessa – ou pelo menos não deveria interessar – ao Brasil. Hoje somos um anão no conserto global das nações – com participação de pouco mais de 1% no comércio mundial – em função da política externa tacanha que vigorou no país na era petista. O cenário atual torna um pouco mais complicado o desafio de nos reconectar ao mundo.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2017
quarta-feira, 25 de janeiro de 2017
As contas do desemprego
O desemprego está entre os principais estragos produzidos pelos governos petistas na vida dos brasileiros. O exército de quase 23 milhões de pessoas sem trabalho atualmente existente no país é o retrato mais pavoroso do fracasso da política econômica patrocinada pelo PT e levada a extremos pela ex-presidente Dilma Rousseff.
Levantamentos recentes permitem aquilatar melhor o tamanho do desastre. Um deles é o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No ano passado, 1,32 milhão de empregos foram eliminados no país, de acordo com o que foi divulgado na semana passada pelo Ministério do Trabalho.
É o segundo ano consecutivo de destruição de vagas no país, com dezembro marcando o 21° mês seguido em que mais trabalhadores foram demitidos do que contratados. A razia de postos de trabalho foi iniciada ainda na primeira gestão de Dilma e, desde a sua reeleição, não parou mais.
Como os petistas agora deram para dizer que não têm nada a ver com o Brasil depauperado com o qual nos deparamos diariamente, é bom dar a César o que dele é. Já em outubro de 2014, o balanço do Caged tornara-se negativo (-30,3 mil vagas) e desde então nunca mais melhorou. Da reeleição até maio passado, mês do impeachment, 2,58 milhões de vagas foram dizimadas no país.
No levantamento que considera a taxa de desemprego nos principais municípios do país, captada por meio da Pnad Contínua do IBGE, 5 milhões de brasileiros perderam seus empregos entre a reeleição de Dilma e o impeachment. Hoje, o exército de desempregados soma quase 13 milhões de brasileiros.
Quando se examina a taxa de desemprego ampliado, que inclui os que deixaram de procurar emprego (desalento) e os que trabalham menos que 40 horas semanais (subocupação e bicos), o Brasil figura em quinto lugar num ranking global elaborado pelo banco Credit Suisse e publicado na edição de ontem d’O Estado de S. Paulo. Apenas Grécia, Espanha, Itália, Croácia e Chipre estão em pior situação.
Não se gera emprego com blábláblá. A única alternativa para que mais riqueza volte a ser produzida, novas oportunidades de trabalho tornem a ser ofertadas e mais pessoas retornem a suas atividades é a retomada do crescimento econômico. O resto é conversinha fiada, destas que os petistas adoram – ao mesmo tempo em que fazem o que podem para impedir que as iniciativas corretas sejam tomadas.
Derrubar o desemprego é o maior desafio que os novos governantes têm pela frente. Só com uma agenda de reformas estruturais, com mais responsabilidade no trato do dinheiro público e com uma redefinição do papel do Estado, abrindo maior espaço para o investimento privado, será possível encurtar o caminho até lá.
Levantamentos recentes permitem aquilatar melhor o tamanho do desastre. Um deles é o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados). No ano passado, 1,32 milhão de empregos foram eliminados no país, de acordo com o que foi divulgado na semana passada pelo Ministério do Trabalho.
É o segundo ano consecutivo de destruição de vagas no país, com dezembro marcando o 21° mês seguido em que mais trabalhadores foram demitidos do que contratados. A razia de postos de trabalho foi iniciada ainda na primeira gestão de Dilma e, desde a sua reeleição, não parou mais.
Como os petistas agora deram para dizer que não têm nada a ver com o Brasil depauperado com o qual nos deparamos diariamente, é bom dar a César o que dele é. Já em outubro de 2014, o balanço do Caged tornara-se negativo (-30,3 mil vagas) e desde então nunca mais melhorou. Da reeleição até maio passado, mês do impeachment, 2,58 milhões de vagas foram dizimadas no país.
No levantamento que considera a taxa de desemprego nos principais municípios do país, captada por meio da Pnad Contínua do IBGE, 5 milhões de brasileiros perderam seus empregos entre a reeleição de Dilma e o impeachment. Hoje, o exército de desempregados soma quase 13 milhões de brasileiros.
Quando se examina a taxa de desemprego ampliado, que inclui os que deixaram de procurar emprego (desalento) e os que trabalham menos que 40 horas semanais (subocupação e bicos), o Brasil figura em quinto lugar num ranking global elaborado pelo banco Credit Suisse e publicado na edição de ontem d’O Estado de S. Paulo. Apenas Grécia, Espanha, Itália, Croácia e Chipre estão em pior situação.
Não se gera emprego com blábláblá. A única alternativa para que mais riqueza volte a ser produzida, novas oportunidades de trabalho tornem a ser ofertadas e mais pessoas retornem a suas atividades é a retomada do crescimento econômico. O resto é conversinha fiada, destas que os petistas adoram – ao mesmo tempo em que fazem o que podem para impedir que as iniciativas corretas sejam tomadas.
Derrubar o desemprego é o maior desafio que os novos governantes têm pela frente. Só com uma agenda de reformas estruturais, com mais responsabilidade no trato do dinheiro público e com uma redefinição do papel do Estado, abrindo maior espaço para o investimento privado, será possível encurtar o caminho até lá.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
O velho PT de sempre
O PT reuniu suas principais lideranças no fim da semana passada para ditar ordens a seus comandados. Numa pantomima que só tem paralelos nas práticas de regimes totalitários (de esquerda e de direita) do século passado, o partido que produziu a maior crise da história brasileira age como se não tivesse nada a ver com isso. Tenta reescrever a história com as tintas turvas da mentira.
Um texto divulgado após o evento como “nota de conjuntura” revela o PT de sempre: irresponsável, panfletário e, sobretudo, totalmente descompromissado em relação ao futuro do país. Serve, contudo, como espécie de bula que ventríloquos do petismo passarão a reprisar, sem sequer corar, pelos quatro cantos do país.
O documento petista chega às raias da irresponsabilidade ao sustentar que “o país encontra-se às portas de um Estado de exceção”. Em franco ataque à Constituição brasileira, prega a mobilização de seus sequazes a fim de obter a “convocação de eleições diretas para presidente, visando pôr fim ao atual governo ilegítimo e golpista de Temer”.
Não há uma linha no documento que remeta a discussões prementes para repor o país nos trilhos do crescimento, do desenvolvimento sustentável e das conquistas sociais. Tudo no panfleto do PT são palavras de ordem vazias, diatribes, slogans. De mérito, nada; de construtivo, nem uma vírgula.
Os petistas recorrem a linguagens de guerra para açular sua militância – cada vez menos numerosa, diga-se de passagem – a boicotar o atual governo, travar a necessária agenda de reformas estruturais e, pasmem, promover a volta do falido modelo de governança que produziu a pior recessão da história brasileira, arregimentou o maior exército de desempregados de que se tem notícia por aqui e protagonizou o maior escândalo de corrupção do planeta. Não é pouco.
Cereja do bolo, os petistas desfraldam bandeiras em favor de um hipotético retorno de Luiz Inácio Lula da Silva às disputas eleitorais. Na realidade, seria ótimo se o ex-presidente – hoje réu em cinco processos por crimes como corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa – concorresse em 2018. Provavelmente levaria a mesma surra que os eleitores brasileiros já dedicaram a candidatos petistas na disputa municipal do ano passado.
O PT tornou-se um espectro de somenos importância no mapa político-partidário brasileiro. Ainda assim, teria importância e poderia merecer alguma consideração se se dedicasse a integrar a união de que os brasileiros necessitam para sairmos do atoleiro em que fomos lançados pelo governo de Dilma Rousseff. Mas o partido prefere agir como sempre agiu: contra o Brasil.
Um texto divulgado após o evento como “nota de conjuntura” revela o PT de sempre: irresponsável, panfletário e, sobretudo, totalmente descompromissado em relação ao futuro do país. Serve, contudo, como espécie de bula que ventríloquos do petismo passarão a reprisar, sem sequer corar, pelos quatro cantos do país.
O documento petista chega às raias da irresponsabilidade ao sustentar que “o país encontra-se às portas de um Estado de exceção”. Em franco ataque à Constituição brasileira, prega a mobilização de seus sequazes a fim de obter a “convocação de eleições diretas para presidente, visando pôr fim ao atual governo ilegítimo e golpista de Temer”.
Não há uma linha no documento que remeta a discussões prementes para repor o país nos trilhos do crescimento, do desenvolvimento sustentável e das conquistas sociais. Tudo no panfleto do PT são palavras de ordem vazias, diatribes, slogans. De mérito, nada; de construtivo, nem uma vírgula.
Os petistas recorrem a linguagens de guerra para açular sua militância – cada vez menos numerosa, diga-se de passagem – a boicotar o atual governo, travar a necessária agenda de reformas estruturais e, pasmem, promover a volta do falido modelo de governança que produziu a pior recessão da história brasileira, arregimentou o maior exército de desempregados de que se tem notícia por aqui e protagonizou o maior escândalo de corrupção do planeta. Não é pouco.
Cereja do bolo, os petistas desfraldam bandeiras em favor de um hipotético retorno de Luiz Inácio Lula da Silva às disputas eleitorais. Na realidade, seria ótimo se o ex-presidente – hoje réu em cinco processos por crimes como corrupção, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa – concorresse em 2018. Provavelmente levaria a mesma surra que os eleitores brasileiros já dedicaram a candidatos petistas na disputa municipal do ano passado.
O PT tornou-se um espectro de somenos importância no mapa político-partidário brasileiro. Ainda assim, teria importância e poderia merecer alguma consideração se se dedicasse a integrar a união de que os brasileiros necessitam para sairmos do atoleiro em que fomos lançados pelo governo de Dilma Rousseff. Mas o partido prefere agir como sempre agiu: contra o Brasil.
sábado, 21 de janeiro de 2017
Fora da ordem mundial
É impossível, ao mesmo por ora, saber exatamente como, mas é absolutamente certo que o mundo não será mais o mesmo a partir de hoje, depois da posse do 45° presidente norte-americano. A ascensão de Donald Trump coloca uma interrogação sobre o futuro das relações econômicas, políticas e sociais no planeta, e um desafio ao Brasil em particular.
O principal temor é de que prevaleça a agenda protecionista e populista que está na raiz da eleição do republicano, considerado o primeiro não político a chegar à Casa Branca. Assusta também a belicosidade de Trump e sua recusa – expressa inclusive nas escolhas de sua equipe de governo – em aceitar evidências clamorosas como o aquecimento global.
Naquilo que alude ao Brasil, o risco é sermos tratados como mero traço.
Ao longo da campanha que levou o republicano ao cargo mais importante do concerto das nações, o Brasil figurou apenas de maneira anedótica, em decorrência de uma famigerada palestra ministrada por Hillary Clinton sob o patrocínio de um dos nossos principais bancões. Noves fora isso, nada.
Em termos geopolíticos, as atenções do novo presidente parecem se voltar predominantemente, e com pencas de razão, para a Ásia e seus novos ricos e para o Oriente Médio e seus velhos conflitos. Ao sul dos EUA, para além do México e de seus negócios particulares, Trump mal lança olhares – pelo menos assim foi até agora.
É um desafio para a nova, e ativa, diplomacia brasileira recuperar alguma importância para o país perante seu mais tradicional parceiro comercial – e que nos últimos tempos vem perdendo tal condição para a China. No ritmo da acanhada política externa petista da última década, os espaços para os produtos made in Brazil nos EUA foram se estreitando, até a quase irrelevância.
As exportações brasileiras para os EUA estão atualmente em seu mais baixo patamar desde 2011, período ao longo do qual acumulam queda de 10,3%, de acordo com estatísticas de comércio exterior do MDIC. Em 2015 (último ano com dados consolidados), as vendas nacionais representaram apenas 0,87% do que os norte-americanos importaram, segundo o United States Census Bureau.
A nova geopolítica que emergirá da ascensão de Trump ao comando da mais potente nação do mundo exigirá nova postura do governo brasileiro – não apenas do atual, mas também do que o sucederá daqui a dois anos. É o momento de voltar-se novamente para o mundo e não ensimesmar-se como aconteceu na última década.
O Brasil precisa engatar-se numa agenda de maior integração global, para o que o suposto protecionismo de Donald Trump nada irá colaborar. Num ambiente provavelmente mais hostil, será preciso acelerar acordos comerciais bilaterais, como o que se vislumbra com a União Europeia, e deixar de lado, de uma vez por todas, a inclinação terceiro-mundista com que o PT conduziu o país de volta ao passado.
O principal temor é de que prevaleça a agenda protecionista e populista que está na raiz da eleição do republicano, considerado o primeiro não político a chegar à Casa Branca. Assusta também a belicosidade de Trump e sua recusa – expressa inclusive nas escolhas de sua equipe de governo – em aceitar evidências clamorosas como o aquecimento global.
Naquilo que alude ao Brasil, o risco é sermos tratados como mero traço.
Ao longo da campanha que levou o republicano ao cargo mais importante do concerto das nações, o Brasil figurou apenas de maneira anedótica, em decorrência de uma famigerada palestra ministrada por Hillary Clinton sob o patrocínio de um dos nossos principais bancões. Noves fora isso, nada.
Em termos geopolíticos, as atenções do novo presidente parecem se voltar predominantemente, e com pencas de razão, para a Ásia e seus novos ricos e para o Oriente Médio e seus velhos conflitos. Ao sul dos EUA, para além do México e de seus negócios particulares, Trump mal lança olhares – pelo menos assim foi até agora.
É um desafio para a nova, e ativa, diplomacia brasileira recuperar alguma importância para o país perante seu mais tradicional parceiro comercial – e que nos últimos tempos vem perdendo tal condição para a China. No ritmo da acanhada política externa petista da última década, os espaços para os produtos made in Brazil nos EUA foram se estreitando, até a quase irrelevância.
As exportações brasileiras para os EUA estão atualmente em seu mais baixo patamar desde 2011, período ao longo do qual acumulam queda de 10,3%, de acordo com estatísticas de comércio exterior do MDIC. Em 2015 (último ano com dados consolidados), as vendas nacionais representaram apenas 0,87% do que os norte-americanos importaram, segundo o United States Census Bureau.
A nova geopolítica que emergirá da ascensão de Trump ao comando da mais potente nação do mundo exigirá nova postura do governo brasileiro – não apenas do atual, mas também do que o sucederá daqui a dois anos. É o momento de voltar-se novamente para o mundo e não ensimesmar-se como aconteceu na última década.
O Brasil precisa engatar-se numa agenda de maior integração global, para o que o suposto protecionismo de Donald Trump nada irá colaborar. Num ambiente provavelmente mais hostil, será preciso acelerar acordos comerciais bilaterais, como o que se vislumbra com a União Europeia, e deixar de lado, de uma vez por todas, a inclinação terceiro-mundista com que o PT conduziu o país de volta ao passado.
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