quarta-feira, 8 de março de 2017

O fundo do poço

O IBGE confirmou nesta manhã que, nos últimos três anos, o Brasil atravessou a mais grave crise econômica da sua história. Não tem para ninguém: sob patrocínio do PT, a recessão que ainda nos assola não encontra paralelo em nenhum outro tempo, em nenhum outro governo. Só com o exorcismo da herança petista, nossas chances de recuperação sobressairão.

Em 2016, a queda do PIB brasileiro foi de 3,6%, que se somam aos 3,8% do ano anterior e à semi-estagnação de 2014. Desde o início da recessão, no segundo trimestre de 2014, a soma de riquezas produzidas no país já caiu 9%, de acordo com o IBGE, muito pior do que no crash de 1929. É a mais profunda e duradoura recessão da história.

O atual nível de produção de bens e serviços no país retrocedeu ao mesmo patamar do terceiro trimestre de 2010, ou seja, de seis anos atrás. É como se todos os ganhos econômicos obtidos ao longo do período em que Dilma Rousseff governou o país tivessem virado fumaça.

Desta vez, todos os setores encolheram na comparação anual, algo inédito desde 1996: os piores resultados foram os da agropecuária (-6,6%), prejudicada pela quebra, principalmente, da safra de milho, e os dos investimentos (-10,2%). Em três anos, a produção de máquinas e equipamentos caiu 26% no país e retrocedeu ao nível do início de 2009.

O PIB per capita caiu novamente e, em reais, já regrediu 9,2% desde 2013. Medido em dólares, é o quinto ano seguido em que o indicador recua. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), no fim desta década o PIB per capita brasileiro ainda estará 21% abaixo do seu valor máximo, alcançado em 2011.

Segundo ranking do FMI, o PIB do Brasil terá tido o sétimo pior desempenho em todo o mundo e o pior do G-20 e da OCDE no ano passado – em 2015, havíamos sido o décimo pior entre 191 nações. A expectativa é de que neste ano já voltemos ao terreno positivo, com alta de 0,5%, mas ainda próximo da rabeira das listas mundiais.

Não se pense, como se ouviu dizer durante anos e anos a fio nos discursos petistas, que o Brasil foi mal porque o resto do mundo também foi. Em 2016, a economia global cresceu em torno de 3%, com os emergentes alcançando expansão acima de 4% – hoje pela manhã, o PIB da zona do euro confirmou alta de 1,4% no ano passado.

Entre os vizinhos, apenas Venezuela (-10%) e Suriname (-7%) não se saíram melhores do que nós. Junto com a Argentina (-1,8%) e o Equador (-2,3%), estas economias foram responsáveis por levar a América Latina e o Caribe ao pior desempenho entre todos os continentes e o único a andar para trás em 2016. Vexame.

Enquanto durou a passagem de Dilma pelo poder, o crescimento acumulado do PIB brasileiro foi de apenas 1,7%, ou seja, 0,3% ao ano em média – isso para uma população que cresce em torno de 0,9% anual. Entre todos os presidentes desde a proclamação da República, a petista só não perdeu para Collor e Floriano Peixoto.

Mas a ruindade não é exclusividade da ex-presidente defenestrada do cargo. Desde a ascensão do PT ao poder, o desempenho brasileiro ficou muito aquém da média global e de economias próximas ou similares à nossa. Entre 2003 e 2016, a expansão geral do PIB nacional foi de 39%, o segundo pior da América do Sul, o 16° na América Latina e o 137° em todo o mundo, como retratado na edição do Brasil Real de setembro passado.

Um dado positivo, pelo menos, é que ao longo do ano passado o ritmo de retração do PIB na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior veio diminuindo. Era de 5,4% no início de 2016 e desceu a 2,5% no quarto trimestre do ano – exceto nas exportações, em todos os componentes do produto, seja pela ótica da demanda quanto pela da oferta, as quedas ficaram menores. Houve, portanto, mudança efetiva de perspectiva com o desenrolar do governo Temer.

Além disso, a queda anualizada baixou de 4,8% no segundo trimestre de 2016 para os 3,6% do fim do ano. São melhoras ainda tímidas para o tamanho do estrago legado pelas gestões petistas – nos três últimos meses do ano, a queda em relação ao trimestre anterior se acentuou. Será preciso ainda muito trabalho para livrar o país do estrago produzido pelas gestões de Lula e Dilma.

Os resultados conhecidos hoje reforçam a necessidade de avançar na agenda de reformas, de modernizar e desinchar o Estado e de escancarar o espaço para que os investimentos privados aconteçam, gerando riqueza e, sobretudo, empregos. Se estas iniciativas não forem adiante, as chances de o país sair do fundo do poço em que o PT nos meteu diminuirão consideravelmente. Só as mudanças estruturais nos livrarão do pior.

terça-feira, 7 de março de 2017

O joio e o trigo

Desde a semana passada, criou-se uma enorme deturpação em cima de depoimentos prestados por executivos do grupo Odebrecht em processo que apura prática de crime de abuso de poder político e econômico pela candidatura vencedora nas eleições presidenciais de 2014.

De repente, o autor da ação, o PSDB, foi transformado em alvo, a se acreditar em vazamentos enganosos e na cobertura enviesada do caso dada por alguns veículos de imprensa. De repente, é como se todos se igualassem à organização criminosa que se formou em torno do PT para assegurar a reeleição de Dilma Rousseff.

De objetivo, os depoimentos colhidos pelo Tribunal Superior Eleitoral nos últimos dias mostraram que: 1) segundo Marcelo Odebrecht, seu grupo só doou recursos às campanhas tucanas de maneira legal e declarada à Justiça, não ocorreram repasses por meio de caixa dois; e 2) não houve pedido de dinheiro não contabilizado feito pelo senador Aécio Neves a Benedicto Júnior, executivo do grupo baiano.

Estes são os fatos, o resto é pura manipulação, má-fé, desinformação e, claro, capítulos de uma guerra política que os envolvidos com a roubalheira do petrolão travam de maneira a tentar igualar a todos no mar de lama em que atolaram o país.

A estratégia de nivelar a todos por baixo, além de injusta, tem como consequência o repúdio de todos os brasileiros pela política, abrindo espaço para aventureiros, dos quais o Brasil já tem péssima experiência, e para o eventual retorno dos que são exatamente os responsáveis pelo país estar tão depauperado quanto está.

Pelo sistema que vigorou até a eleição de 2014, era obrigação dos candidatos buscar recursos junto a empresas para financiar suas campanhas e viabilizar seus projetos políticos. O PSDB fez isso: buscou recursos legais, limpos, para que o partido vencesse as eleições e derrotasse o PT. Que poder tinha o partido, então há 12 anos na oposição, para oferecer em troca?

Algo muito diferente fizeram petistas e seus aliados: colocaram até os ministros de Estado que cuidavam das finanças do país, sob a orientação dos presidentes da República em suas respectivas épocas, para fazer negociatas, vender medidas de governo e movimentar uma verdadeira conta-corrente de propinas em troca de cumplicidade num esquema criminoso que lesava os cofres públicos e roubava a população.

Para separar o joio do trigo e não confundir alhos com bugalhos, é necessário que o louvável e desejável processo de depuração pelo qual passa o país, por meio da Operação Lava Jato e de investigações correlatas, prossiga com a devida serenidade, equilíbrio e responsabilidade. Enxovalhar a política e tentar afundar todos na lama só contribui para sabotar o país e beneficiar quem de fato protagonizou o maior escândalo de corrupção de que se tem notícia no mundo: o PT.

sábado, 4 de março de 2017

Vamos pro mundo

O Brasil está redescobrindo o mundo. As exportações do país estão voltando a ter força, ajudando a reanimar nossa economia. Há muito tempo o comércio exterior, solapado por anos de uma política externa canhestra e ideológica, não obtinha tamanha importância. É hora de ir além-fronteiras.

Nos primeiros dois meses do ano, o país registrou o maior superávit comercial da sua história para o período, informou ontem a Secex. As exportações superaram as importações em US$ 7,3 bilhões, com alta de 84% em um ano. O recorde anterior havia sido anotado em 2006, com US$ 5,6 bilhões.

No bimestre, as vendas ao exterior cresceram 20% – todas as categorias de produtos tiveram alta – e as aquisições, 9% – na terceira alta mensal consecutiva, após dois anos de quedas, em mais um sinal de reativação da economia local. Estima-se superávit comercial acima de US$ 47 bilhões neste ano, praticamente o mesmo patamar de 2016.

O comércio exterior brasileiro acompanha o vigor, entre outros, da nossa safra agrícola, mas surfa mesmo é na nova onda de expansão das commodities. Depois de descerem ao fundo do poço no ano passado, algumas das principais matérias-primas do mundo experimentam agora um novo rali de preços, com altas de fazer cair o queixo.

As cotações de minério de ferro estão 149% maiores em comparação com o primeiro bimestre de 2016 e as de petróleo, 108%, de acordo com a Associação de Comércio Exterior do Brasil. Junto com a soja, os dois itens tiveram suas exportações aumentadas acima de 100% nestes últimos 12 meses. Na média, os termos de troca (relação entre preços de exportações e importações) subiram 8,2% no período, registra o Valor Econômico.

É necessário, contudo, transformar o momentâneo em perene. Os produtos brasileiros estão voltando a buscar espaço no mercado global no mesmo momento em que despontam iniciativas protecionistas nalgumas das maiores economias, como é o caso dos Estados Unidos. Nesta semana, Donald Trump enunciou a política comercial de seu governo e ela não é nada favorável ao livre-comércio.

O presidente americano pretende resolver os assuntos comerciais dos EUA ao largo da Organização Mundial de Comércio. Deve também dar preferências a acordos bilaterais, em contraste com o histórico alinhamento do país ao multilateralismo, e barrar a seu bel-prazer a entrada de importações que julgar inconvenientes às pretensões econômicas norte-americanas.

O Brasil precisa apressar-se se não quiser ficar a ver navios. Ao mesmo tempo, necessita, urgentemente, voltar a cuidar da sua combalida infraestrutura – do que a deplorável situação de rodovias como a BR-163, no norte do país, é exemplo gritante e razão de perdas vultosas para nossos produtores agrícolas. Deve, de preferência, enfrentar o problema com um ousado programa de concessões e privatizações.

Diante das oportunidades que se abrem, nossa diplomacia, agora sob direção de Aloysio Nunes Ferreira, tem como desafios destravar as amarras do Mercosul, dinamizar o comércio regional, promover acordos com a União Europeia e a Aliança do Pacífico e, sobretudo, atar o Brasil às cadeias produtivas globais, das quais ficamos mais de uma década alijados por causa da aversão dos governos do PT a qualquer coisa que cheirasse a progresso. Não podemos ficar fora da nova onda de prosperidade mundial.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Um ciclo virtuoso

A redução determinada pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada parece ter afastado as dúvidas de que a taxa básica de juros no país vai finalmente caminhar para um patamar civilizado. Depois do quarto corte consecutivo, as apostas em novas e acentuadas quedas se intensificaram, ao mesmo tempo em que aumentou a confiança no mergulho da inflação.

O mercado agora já aposta numa Selic de 9,25% no fim deste ano, patamar em torno do qual o juro básico brasileiro deve se estabilizar nos anos seguintes, de acordo com a mais recente pesquisa Focus, divulgada ontem pelo Banco Central.

Alguns podem até achar pouco, mas vale ter presente que há apenas seis meses, quando o governo Michel Temer assumiu o comando do país em definitivo, a previsão corrente no mercado era de uma taxa básica de 11% no fim deste ano, com o sonhado um dígito só despontando nas expectativas em 2020. O futuro, ao que tudo indica, está chegando.

O Copom começou a desmontar os juros estratosféricos em outubro e, desde então, tirou dois pontos percentuais da taxa básica, baixando-a para os atuais 12,25% ao ano. Isso ainda equivale a uma taxa real, ou seja, acima da inflação projetada, de cerca de 7% ao ano. Nenhum país do mundo paga tanto aos investidores.

Por isso, dá para (e deve-se) cortar a Selic muito mais. Cada ponto percentual a menos da taxa básica equivale a cerca de R$ 22 bilhões que o governo economiza em juros da rolagem da sua dívida – no ano passado, os gastos do setor público com esta finalidade somaram R$ 407 bilhões.

O atual ciclo de redução da Selic só foi possível porque o país obteve êxito em derrubar a inflação, que já caiu pela metade no último ano e deve despencar mais. Também de acordo com o Focus, já se trabalha com a possibilidade de o IPCA, o índice oficial, ficar abaixo da meta de 4,5% no fim deste ano. Desde 2009, ou seja, lá se vão oito anos, isso não acontecia no país.

Neste movimento redentor, falta, porém, uma segunda perna: a da queda dos juros praticados pelas instituições financeiras. Na contramão do Banco Central, as taxas cobradas ao consumidor e às empresas estão subindo, num contrassenso para uma economia em crise. O ciclo de cortes precisa ser completo, mas sem voluntarismo.

A redução atual dos juros brasileiros tem tudo para ser perene, pondo fim a uma das piores anomalias da nossa economia. É, portanto, bastante diferente do ciclo empreendido entre 2011 e 2013, quando a taxa foi reduzida de forma irresponsável pelo governo petista, naquela que é uma das razões para a recessão da qual ainda não emergimos. Aquele movimento, como sabemos, teve pernas curtas.

A queda dos juros, acompanhando pari passu a redução da inflação, é uma das principais alavancas de que o país dispõe neste momento para reativar a economia – outra são as concessões e privatizações. É o motor da arrancada, que só se fará permanente, contudo, caso também avancem as reformas estruturais atualmente em discussão no Congresso, em especial a da Previdência – como, aliás, o próprio BC deixou claro na ata da reunião do Copom divulgada nesta manhã.

Com as engrenagens da queda das taxas de juros funcionando, um ciclo virtuoso poderá se por em marcha no país: os gastos dos governos com o pagamento de suas dívidas caem, os investimentos produtivos ganham ímpeto relevante e a geração de emprego e renda recomeça. E, desta forma, a retomada do crescimento se consolida.