terça-feira, 30 de setembro de 2014

Oposição para mudar

Estamos a menos de uma semana da eleição que vai definir um novo futuro para o país. As escolhas são claras: perseverar no erro, dar um salto no escuro ou optar por quem sempre foi oposição ao governo que aí está, quem resistiu e combateu, ao longo de todos estes 12 anos, o descalabro a que o PT vem conduzindo o Brasil.

No próximo domingo, os brasileiros escolherão não apenas um novo presidente da República, mas um novo governo. Não uma única pessoa, mas uma visão de mundo e uma equipe. Não um salvador ou um mito, mas um líder. É disto que se trata: de fazer a opção por um projeto que seja capaz de soerguer o país e recuperar a confiança da nação num futuro melhor.

Vivemos há 12 anos sob a égide do PT. Neste período, houve, sim, avanços. Mas a verdade é que ficaram muito aquém do que um país com a força do Brasil poderia ter alcançado. Nos anos recentes, desde a crise de 2008, as conquistas começaram a ser postas em risco e, no atual governo, foram definitivamente hipotecadas em nome apenas da perpetuação de poder.

Na eleição de domingo, os brasileiros terão a chance de optar por manter tudo como está. A questão que fica é: um governo que tem tantos problemas, que a cada semana se vê enredado numa nova denúncia de corrupção, merece permanecer? Será que o país aguenta mais quatro anos de PT?

Entre as opções à escolha dos eleitores está alguém de boas intenções, mas de enormes incertezas, graúdas inconsistências e flagrante incoerência. Alguém que militou durante quase toda sua vida púbica no PT, defendeu as mais caras teses petistas, calou-se quando o PT foi fundo nas falcatruas do mensalão e, no PT, opôs-se às principais conquistas recentes da sociedade brasileira, como a estabilidade da moeda e a responsabilidade fiscal.

Mas o Brasil tem, felizmente, como escolher o caminho seguro, fazer a opção mais correta e levar o país de volta ao rumo do desenvolvimento, do progresso, da honradez e da eficiência. No próximo domingo, os brasileiros temos, felizmente, a possibilidade de marcar na urna eletrônica o nome de Aécio Neves.

É este grupo político, que jamais se coadunou com o petismo, que nunca aderiu oportunisticamente aos governos de Lula ou de Dilma, que busca agora o voto popular para mudar o Brasil.

Oposição existe para se opor e para construir o novo. Ao longo das mil edições que hoje se completam, esta Carta de Conjuntura busca colaborar na construção deste novo mundo e deste novo Brasil que pode começar a nascer no próximo dia 5 de outubro.

sábado, 27 de setembro de 2014

Usina de escândalos

A sucessão de escândalos envolvendo a Petrobras é tão caudalosa que, às vezes, tem-se a sensação de que foram incorporadas ao dia a dia da empresa sob o domínio do PT. Segundo o discurso oficial, porém, trata-se apenas de malfeitos pontuais. Mas não: são corrupção das grossas.

Só nos últimos dias foram três episódios, todos da maior gravidade. Primeiro, soube-se que três ex-diretores da empresa, e não apenas um, podem estar envolvidos em desvios de recursos da estatal durante as gestões petistas. Estima-se que o esquema criminoso tenha surrupiado R$ 10 bilhões do caixa da Petrobras ao longo dos últimos anos.

Em revelações feitas por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras preso desde março na Polícia Federal, surgiram também os nomes de Renato Duque, de sabidos laços com o PT, e de Nestor Cerveró, que comandou a área internacional da companhia. Todos ocuparam seus cargos durante período em que Dilma Rousseff presidiu o conselho de administração da Petrobras.

Anteontem, vieram à tona novas conclusões do Tribunal de Contas da União acerca da construção da Abreu e Lima. Trata-se, como se sabe, da mais escandalosa obra já realizada até hoje pela Petrobras, cujo custo multiplicou-se por nove e agora beira R$ 40 bilhões. É a mais cara refinaria de petróleo já feita em todo o mundo.

Segundo o TCU, a obra em Pernambuco apresenta sobrepreço de pelo menos R$ 1,9 bilhão e teve quatro de seus contratos superfaturados em quase R$ 370 milhões. Numa conta rápida, só com esta bolada seria possível fazer creches suficientes para abrigar 300 mil crianças – e cumprir parte da promessa que Dilma passou longe de honrar...

Hoje, no escândalo da hora, O Globo informa que Paulo Roberto Costa admitiu em seus depoimentos à PF que recebeu US$ 23 milhões no exterior para facilitar contratos de empreiteiras com a Petrobras. A grana suja está depositada em contas bancárias já bloqueadas na Suíça.

Dilma costuma repetir que o governo dela combate a corrupção como nunca antes na história. Mas terá que explicar por que, quando ainda era ministra da Casa Civil, em 2009, recebeu denúncias de “indícios de irregularidades graves” nas obras da Abreu e Lima e simplesmente deixou o processo ser arquivado sem chegar a lugar nenhum, como mostra também O Globo hoje.

As ligações dos petistas com estas usinas de lama são tão umbilicais que, segundo a Folha de S.Paulo, as fontes de recursos para as campanhas do partido estão secando depois que começaram a vir à tona as origens inescrupulosas de parte do dinheiro que move o moinho eleitoral do PT. São engrenagens da cadeia de produção da corrupção.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Palanque na ONU

A sem-cerimônia com que o PT desvirtua espaços institucionais atravessou fronteiras. O partido atualmente no poder transformou uma tradição de mais de seis décadas – a prerrogativa dada ao Brasil de abrir a assembleia geral da ONU – em mais um episódio da campanha eleitoral de Dilma Rousseff.

A presidente brasileira usou ontem a tribuna das Nações Unidas como palanque. Dos 24 minutos do discurso, a maior parte do tempo na tribuna foi empregada para fazer proselitismo sobre os 12 anos de governo do PT. Comodamente, Dilma absteve-se de prestar contas de seus ruinosos quatro anos de mandato...

A ida a Nova York foi explorada pelo marketing petista para gerar imagens de TV que a exibam com estofo internacional diante de incautos telespectadores no Brasil. A oportunidade na ONU é espaço institucional do qual os adversários da presidente da República, por razões óbvias, não dispõem. O PT não tem o menor escrúpulo em subvertê-lo.

Assim tem sido ao longo desta campanha, quando espaços oficiais têm sido usados rotineiramente para atos de campanha de Dilma. A cada fim de semana, por exemplo, o Palácio da Alvorada é usado para gravação de imagens em entrevistas que geram notícias nos telejornais do dia. Entrevistas e sabatinas também acontecem rotineiramente lá ou no Palácio do Planalto.

O excesso é tão gritante que até o insuspeito presidente do TSE já considerou “vantagem indevida” o uso de locais próprios do Estado “como um símbolo que a diferencia [Dilma] dos outros candidatos”, conforme afirmou o ministro José Antonio Dias Toffoli, ex-advogado do PT, recentemente. Dilma deu de ombros.

À audiência na ONU, a candidata-presidente apresentou números inflados de criação de empregos, duvidosas estatísticas sobre redução da pobreza no país e uma trajetória venturosa na queda da desigualdade que simplesmente deixou de ser verdadeira nos anos de governo dela.

Dilma também assegurou aos representantes dos 193 países-membro da ONU que seu governo empreende combate sem tréguas à corrupção. Quase simultaneamente, novas notícias sobre superfaturamento em obras da Petrobras saiam do forno do Tribunal de Contas da União aqui no Brasil...

Com a postura adotada ontem na Assembleia Geral da ONU, Dilma Rousseff apequenou o Brasil diante do mais importante fórum do concerto internacional das nações. Tal como um político de província, demonstrou seu desapreço pelas instituições e pelos ritos. A candidata-presidente fez política menor, mais ou menos à altura dela mesma.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Picuinhas ambientais

A presidente do Brasil participou ontem de sessão na ONU dedicada ao debate de temas de alta relevância para o futuro do planeta: mudanças climáticas, combate ao aquecimento global e redução de emissões. Mas Dilma Rousseff apequenou sua intervenção ao transformar seu desempenho em Nova York em mais um episódio de disputa eleitoral.

O Brasil é ator importante nas discussões globais sobre o clima. Não apenas porque é uma das sete maiores economias do mundo e, portanto, potencialmente um dos maiores emissores de gases de efeito estufa. Mas nosso protagonismo decorre, principalmente, do fato de o país abrigar a maior floresta tropical do planeta.

Neste último ano, o desmatamento da Amazônia voltou a subir, depois de quatro quedas anuais consecutivas. A alta foi de 29%, para 5.891 km2. Segundo Dilma, trata-se tão somente de um “aumentinho”. No entanto, a tendência verificada pelo Inpe desde julho passado mantém-se de elevação, segundo O Globo.

Mesmo com a queda expressiva observada desde o início do século, o Brasil ainda é o país que mais desmata em todo o mundo – também em razão de termos as maiores florestas do planeta. Ou seja, não dá para deitar em berço esplêndido com os resultados alcançados até aqui. O futuro exige mais.

Ontem na ONU o Brasil se recusou a assinar declaração que prevê corte do desmate à metade até 2020 e o fim do desmatamento até 2030. A posição não é incoerente com o que estabelece a legislação nacional: o Código Florestal permite corte de árvores até determinado percentual de reserva legal, bem como o manejo sustentável de florestas.

O que é preciso é fazer avançar as conquistas que nossa legislação abraça. Em especial, a regularização das propriedades rurais e o mapeamento detalhado de tudo o que foi desmatado e precisa ser recomposto, obtido por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Ocorre que o governo federal perdeu dois anos para regulamentá-lo e só agora os proprietários estão podendo correr atrás.

Outra possibilidade importante aberta pelo Código Florestal é o pagamento por serviços ambientais. Trata-se de mecanismo que permite a preservação de recursos naturais – como mananciais, a exemplo do que acontece exemplarmente em Extrema, em Minas – por meio de compensação monetária, bem como o manejo sustentável de florestas.

O Brasil tem uma extensa agenda ambiental para cumprir a fim de que faça prevalecer os preceitos da sustentabilidade, rumo a uma economia de baixa emissão de carbono. A despeito de disputas eleitorais, o interesse da vida e dos seres humanos que dependem de um planeta mais saudável deve prevalecer.