sábado, 31 de janeiro de 2015

O país no vermelho

Num dia, é a cifra astronômica do custo da corrupção, da roubalheira e da ineficiência na Petrobras. No outro, a fatura da gastança e do descontrole fiscal patrocinados pela presidente Dilma Rousseff. A cada nova fornada, a contabilidade dos anos de governo do PT vai revelando que o partido dos mensaleiros e do petrolão pôs o Brasil no vermelho.

Nunca antes na história tanto dinheiro público foi jogado na lata de lixo, o cidadão foi tratado com tanto descaso e os governantes agiram com tamanha desfaçatez. O fiasco da vez é o resultado fiscal do governo central – que será completado hoje com a divulgação dos números do setor público consolidado, que incluem estados e municípios.

Todos irão se lembrar de Dilma na campanha reiterando que o país tinha desempenho fiscal “inquestionável, inquestionável” e que o superávit do ano seria cumprido. Também vão se recordar de Aloizio Mercadante – que continua mandando no Planalto – dizendo, em novembro, que era “exemplar” o trato que o governo petista dava às contas públicas.

Fechado o ano, o governo teve rombo de R$ 17,2 bilhões, o primeiro desde 1997. O buraco apareceu porque as despesas foram turbinadas no ano da eleição, com alta de 12,8%, enquanto as receitas cresceram menos que a inflação (3,6%). É aritmética básica: assim conta nenhuma fecha.

O retrato do descalabro fiscal do primeiro mandato de Dilma é horroroso. A dívida pública bruta cresceu de 53% do PIB para 63% do PIB. Os gastos totais atingiram R$ 1,013 trilhão no ano passado, com alta de 45% sobre 2010. Só em 2014, as despesas aumentaram R$ 117 bilhões, resume o Valor Econômico. Onde está indo parar toda esta dinheirama?

O mais alarmante é que a presidente da República assumiu num discurso lido, ou seja, de maneira premeditada, que a gastança foi feita de caso pensado. “Nós reduzimos nosso resultado primário para combater os efeitos adversos desses choques sobre nossa economia e proteger nossa população”, tentou justificar Dilma na reunião ministerial de terça-feira. Lorota: na verdade, o meu, o seu, o nosso dinheiro foi torrado para reeleger a presidente.

Até a eleição, Dilma e gente do PT juravam que o governo teria saldo fiscal de R$ 81 bilhões. Passada a votação, a máscara começou a cair, a meta foi reduzida até chegar à espúria mudança na LDO que transformou a irresponsabilidade fiscal em boa ventura, permitindo que déficit fosse computado como superávit. Não tinha como dar certo.

Os resultados fiscais conhecidos agora indicam que as promessas de austeridade do novo governo são ainda menos críveis, ou pelo menos muito mais difíceis de serem alcançadas. O buraco é maior que o previsto e o esforço para reverter o rombo terá que ser ainda mais drástico, atingindo bem mais que os R$ 66 bilhões anunciados até agora. E o pior é que nem com os dividendos da Petrobras esta gente poderá contar...

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

O custo PT na Petrobras

R$ 88,6 bilhões. Este é o possível valor que corresponde ao assalto perpetrado pelas gestões petistas na Petrobras, seja na forma de desvios e corrupção, seja na de negócios mal feitos, ineficiência e desperdício de dinheiro que deveria servir ao desenvolvimento do país. Quem vai pagar por isso?

O tamanho da cifra ainda é alvo de discórdia. Os representantes do governo no conselho de administração da Petrobras impediram que a companhia lançasse o valor como baixa contábil no balanço capenga sobre os resultados do terceiro trimestre do ano passado divulgados na madrugada de ontem.

O ajuste pode ser de “apenas” R$ 61,4 bilhões ou, na conta mais conservadora possível, a corrupção teria surrupiado não mais que R$ 4 bilhões da empresa. Como quer que se olhe, trata-se do maior escândalo financeiro e político da história da humanidade.

Os R$ 88,6 bilhões correspondem a um terço do patrimônio da Petrobras. Mas nada impede que o montante seja ainda maior, porque as estimativas feitas por duas das mais renomadas consultorias internacionais se ativeram apenas ao período de 2004 a 2012.

Ocorre que o próprio Ministério Público Federal, quando pediu a prisão de Nestor Cerveró, afiançou que não há indícios de que a roubalheira tenha sido estancada. Há notícias de continuação do pagamento de propinas até em 2014, com suspeita de terem tido a campanha de Dilma Rousseff à reeleição como destino.

De todo modo, os R$ 88,6 bilhões estimados pelas consultorias são dinheiro inimaginável. Seriam suficientes, por exemplo, para colocar 11,5 milhões de crianças em creches – zerando uma promessa que o PT passou longe de cumprir – ou 51 milhões de jovens em escolas. Este é o custo que o petismo está impondo à sociedade brasileira.

Para se ter ideia, no Brasil apenas três empresas têm ativos totais maiores que o valor do descalabro na Petrobras. Ou seja, a corrupção e a ineficiência registradas nas gestões de Lula e de Dilma custam ao país mais do que valem algumas das maiores companhias brasileiras. Este é o único ativo que o PT é capaz de construir.

Entre os ativos que a Petrobras vai limar de seu balanço estão descalabros como os da refinaria Abreu e Lima – onde R$ 4 bilhões foram gastos antes das obras começarem – e do Comperj. Estão também as duas refinarias Premium que Lula e Dilma prometeram reiteradas vezes para o Nordeste: não saíram do papel, mas consumiram R$ 2,7 bilhões.

O mais grave é que, na sua forma peculiar de ver as coisas, a presidente da República continua achando que a Petrobras dispõe da “mais eficiente estrutura de governança e controle que uma empresa estatal, ou privada já teve no Brasil”. É por esta razão que, nas barbas de Dilma Rousseff, tanto dinheiro esteja sendo roubado do povo brasileiro.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Dilma só no gogó

Quem esperava palavras de um líder, se frustrou. Quem contava com explicações, ficou a ver navios. Quem torcia para que, enfim, aparecesse algum lapso de estadista, continuou sonhando. Quem ainda confia que deste mato saia coelho, é melhor esquecer.

O discurso feito por Dilma Rousseff na reunião ministerial de ontem está tão distante da realidade quanto suas ações neste início de segundo mandato se encontram das promessas de campanha. A presidente passou longe de explicar como e por que está tendo que tomar medidas tão drásticas para corrigir o que ela mesma desvirtuou.

Dilma listou medidas de “caráter corretivo” sem uma palavra sobre o que de errado é preciso consertar com elas. Faltaram-lhe humildade e transparência. Falou sobre cortes de direitos trabalhistas (transformados em “aperfeiçoamento da política social”) e aumentos de impostos como se fossem benéficos à população.

Nenhuma palavra de sinceridade, nenhum reconhecimento sobre as dificuldades que o país enfrenta. Como sempre, os culpados foram buscados em fatores alheios, jamais nas barbeiragens que seu governo patrocinou ao longo do primeiro mandato.

A presidente cobrou de seus subordinados uma boa comunicação: “Sejam claros, sejam precisos, se façam entender”. Mas ela mesma demorou quase um mês para vir a público explicar o pacotaço de maldades que seu governo patrocina nas últimas semanas. Estranhamente, os que se comunicaram neste ínterim foram repreendidos pela presidente.

Dilma falou em diálogo, mas continua impondo medidas goela abaixo, sem ouvir trabalhadores – no caso das mudanças nos direitos trabalhistas – ou agentes econômicos – como nas ações para fazer frente ao risco de racionamento de energia.

É de se louvar, porém, a constatação que a presidente enfim fez de que “contas públicas em ordem são necessárias para o controle da inflação, o crescimento econômico e a garantia, de forma sustentada, do emprego e da renda”. Bem-vinda à responsabilidade fiscal, Dilma. Mas será esta conversão verdadeira?

Continua no terreno da ladainha seu mais uma vez reiterado compromisso com o aumento dos investimentos, que nunca chega; com a desburocratização, que não tem como acontecer num Estado paquidérmico; com o controle da inflação, com cuja meta ela continua sem se comprometer; e com o impulso às concessões, empacadas há anos.

A presidente repete que combaterá a corrupção como nunca antes, mas não reservou uma palavra para explicar como, a cada dia que passa, o escândalo do petrolão ganha proporções nunca antes imaginadas.

Dilma Rousseff diz que não alterou “um só milímetro” seu compromisso com o projeto vencedor na eleição. Resta saber qual régua está usando para medir a realidade; pelo jeito, a dela está invertida. Não adianta fazer discursos para tentar transformar fatos em boatos.

Procura-se Dilma desesperadamente

Dilma Rousseff deve reaparecer em público hoje depois de longo período de reclusão. Após a reunião ministerial convocada por ela, vamos poder saber se o país tem de fato uma presidente da República ou alguém que se esconde atrás de seus auxiliares por não ter ideia do que fazer para melhorar o país.

Há 26 dias Dilma não se manifesta em público. Neste segundo mandato, tão cheio de emoções em seu comecinho, a presidente só deu as caras no dia da posse. Depois, mudez total, enquanto o saco de maldades impostas à população era esvaziado dia após dia.

Lá se vai mais de um mês que Dilma não fala com a imprensa. A última vez foi num café da manhã às vésperas do Natal, em 22 de dezembro. Ou seja, nenhuma explicação ou transparência em relação às medidas tomadas na arrancada deste seu segundo mandato.

Espera-se que a presidente explique hoje ao distinto público por que está fazendo tudo ao contrário do que dizia que faria quando estava em campanha pela reeleição. Não se ouviu de Dilma até agora uma manifestação sobre a correção de rumos ou, menos ainda, qualquer mea-culpa sobre os erros do primeiro mandato que exigem tamanho ajuste agora.

A lista de temas à espera das palavras da sumida presidente é extensa: corte de direitos trabalhistas e previdenciários, aumento de impostos, elevação dos juros, reajustes de tarifas públicas, apagões e ameaça de racionamento, revelações ainda mais cabeludas no escândalo da Petrobras. Assunto ela tem para falar horas seguidas.

Pode ser que saibamos hoje até que ponto Dilma está ou não de fato comprometida com a correção das suas próprias lambanças. Até que ponto irá perseverar no ajuste recessivo no qual embicou seu governo, empoderando o ministro Joaquim Levy – cujo nome ainda não foi pronunciado pela presidente em público – para todo tipo de malvadezas.

Segundo versões vazadas dos palácios, Dilma deixou o jogo sujo por conta da equipe econômica a fim de se preservar. Ao mesmo tempo, o PT, de maneira esperta, tenta disseminar que também não tem nada a ver com o ajuste em marcha. Daqui a pouco vai ter gente falando que é tudo obra do Espírito Santo...

A presidente precisa vir a público hoje expressar o que realmente pretende para seu segundo mandato. As incertezas são agravadas pelo fato de Dilma ter sido eleita com base numa propaganda mentirosa e mistificadora, sem sequer um programa de governo pronto e acabado apresentado à população.

O que os brasileiros esperam da governante é um mínimo de honestidade na sua comunicação com o público. É tudo o que não se viu até agora da presidente, escondida atrás de traições em relação às promessas de campanha, pusilanimidade e espertezas. Fala, Dilma; o microfone hoje é todo seu.