sábado, 28 de fevereiro de 2015

Dilma Mãos de Tesoura

A navalha impiedosa de Dilma Rousseff continua à solta. Para corrigir os erros que reiteradamente cometeu nos últimos anos, e nega-se a admitir, o governo da presidente está tendo que produzir um sangrento ajuste fiscal. Investimentos, benefícios sociais e medidas de incentivo ao emprego estão entre os alvos preferidos dos cortes.

O ajuste fiscal recessivo do governo do PT congelou um naco considerável do Orçamento da União. A novidade veio publicada no Diário Oficial da União de ontem; ninguém do governo teve coragem de pôr a cara para anunciá-la.

Quando o corte é projetado para o ano, as estimativas sobre o valor subtraído variam de R$ 57 bilhões a R$ 80 bilhões. Será o maior dos últimos 15 anos.

Em termos relativos, são cerca de 20% do orçamento federal, levando para o ralo vitrines que antes eram apresentadas pelo discurso petista como intocáveis, como o PAC e o Minha Casa Minha Vida.

Dilma não está para brincadeira. Mas, como manejar contas públicas com responsabilidade não é a praia dela, suas investidas vão deixando cicatrizes feias pelo caminho. É “de chorar”, segundo gente da cozinha do Palácio do Planalto ouvida por O Estado de S. Paulo. Os brasileiros que pagam a conta que o digam...

A presidente continua fazendo suas maldades sem assumir suas responsabilidades no ajuste fiscal, e sem sequer referendar publicamente as políticas recessivas que mandou Joaquim Levy tocar adiante. Sua relutância torna as “medidas corretivas”, como ela se refere às navalhadas, mais sangrentas.

Se o ajuste fosse crível, Dilma não teria de estar desdobrando as medidas fiscais de maneira a encontrar receitas que não existem ou cortar despesas que estão no osso – em janeiro, a arrecadação caiu, os investimentos despencaram 35% e o saldo fiscal foi o menor dos últimos seis anos.

Assim acaba sobrando para o contribuinte. Além do aperto nos gastos e dos cortes nos investimentos, hoje vieram mais maldades, saídas do saco da presidente na forma de aumento dos impostos sobre a folha de salários. As alíquotas mais que dobrarão a partir de junho. Reverte-se, desta forma, parte da política de desoneração adotada nos últimos anos.

Outras ações de incentivo ao investimento – como o PSI e o Reintegra – também irão retroceder, num vai e vem capaz de colocar mais trabalhadores sob o risco do desemprego – que já subiu com força em janeiro e deve continuar a escalar.

Estamos diante da confissão e da prova cabal de que a política econômica que vigorou nos últimos anos no país fracassou rotundamente. O comportamento irresponsável da presidente ora acaba por determinar o preço da desconfiança, aumentar o sacrifício da população e diminuir as chances de êxito. É difícil crer que agora vá dar certo.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Os bolivarianos daqui

Se é preocupante a escalada autoritária que vem acontecendo na Venezuela, não é menos temerário o que as forças de apoio ao governo do PT ensaiam fazer aqui no Brasil. Os bolivarianos daqui estão prontos para deflagrar guerras. A truculência é a arma preferida de quem perdeu a razão.

A estridência do petismo e de seus satélites ditos “sociais” aumenta à medida que explode a dimensão da roubalheira e do desgoverno. Sobe de tom na mesma proporção em que o governo reeleito revela-se um engodo absoluto. E vai às raias da loucura quando percebe que a sociedade brasileira cada vez mais rejeita o modo PT de governar.

Mas o fator com maior capacidade de incendiar a ira dos carbonários petistas são as ameaças a seu líder-mor, Lula. Bastou surgir e crescer o temor de que as investigações sobre a roubalheira na Petrobras poderiam chegar até as barbas do ex-presidente que a turma se assanhou para valer. Agora querem briga a qualquer custo.

Não chega a ser nenhuma novidade a beligerância de agrupamentos como o “exército do Stédile”, a CUT ou a FUP, sempre prontos a deflagrar confrontos com quem consideram adversários do projeto de poder que integram. Afinal, o que lhes interessa é manter azeitados os canais que irrigam sua contabilidade e financiam sua existência.

Grave mesmo é quando um ex-presidente da República resolve fazer as vezes de chefe deste tipo de falanges. Este é o papel a que Luiz Inácio Lula da Silva tem se prestado desde que abandonou a reclusão em que se manteve durante meses, enquanto a crise consumia Dilma Rousseff. Por que será? O que tanto ele teme para vociferar desta maneira?

Contra a triste realidade que se revela a cada dia, envolvendo não apenas a estatal de petróleo, mas também o imenso aparato corrupto instalado pelos petistas no seio do Estado, não se ouve argumentos. Só a tática do desespero.

Sobre a destruição da Petrobras, nenhuma manifestação razoavelmente equilibrada. Tão somente manifestos de “intelectuais” (haja aspas) faixa branca sempre dispostos a defender o indefensável. Será que padecem da “falta de conhecimento” sobre a situação da empresa que a presidente Dilma Rousseff atribui às agências de crédito que rebaixaram a companhia?

Agora já se cogita até a venda das sagradas reservas do pré-sal, aquelas mesmas que o PT acusava a oposição de querer “entregar” para estrangeiros e capitalistas insaciáveis. Já se fala também em novo socorro do governo à empresa, com farto recurso público. O que os bolivarianos daqui têm a dizer a respeito?

Quando o mau exemplo vem de cima, os partidários da truculência se sentem autorizados a partir para a “porrada”, como defende gente do primeiro escalão do PT. Mas o Brasil que não concorda com isso, e que é o Brasil da maioria, responderá à baixaria lutando por mais cidadania, mais democracia, mais decência, paz e mais respeito ao país. Aos bolivarianos daqui restará a Venezuela como consolo, ou como destino.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Petrobras em queda livre

Aconteceu o esperado e a Petrobras teve sua nota de crédito rebaixada ontem pela agência de classificação de riscos Moody’s. A maior empresa pública do Brasil é agora considerada investimento especulativo, no mesmo saco de outras moedas podres. O que já está ruim demais pode ficar muito pior.

A consequência imediata para a empresa é perder investidores, pagar juros mais altos, ver seu crédito na praça secar e ter seu plano de expansão ainda mais comprometido. Seu valor de mercado deverá continuar despencando. O futuro da estatal não é nada venturoso.

A Moody’s alegou três razões para rebaixar a Petrobras: atraso na divulgação do balanço, alto endividamento e corrupção. É, portanto, uma mistura indigesta de má gestão e roubalheira. A estatal já se tornou case global de como destruir patrimônio.

De uma vez só, a companhia decaiu dois degraus na escala de crédito da Moody’s, algo incomum. Desde 2005, a Petrobras desfrutava da condição de grau de investimento. Isso deixa claro, de uma vez por todas, que quem elevou a empresa a seu patamar mais alto foram as políticas públicas e estratégias de gestão implementadas no governo do PSDB. As da administração do PT a afundaram.

A perspectiva de a Petrobras retomar a condição de grau de investimento, ou seja, de empresa confiável aos olhos dos investidores, é distante e, analisada de hoje, pequena. O mais provável é a empresa descer ainda mais na escala, e ser também rebaixada pelas demais agências de riscos – o que deve acontecer em questão de dias.

A dificuldade de conseguir publicar um balanço confiável em tempo hábil também põe a companhia sob risco de ir à bancarrota, obrigada a adiantar pagamentos para os quais não dispõe de recursos. No rastro, cairá também a nota de crédito do país, como bola de neve.

A gestão petista jogou todas as suas fichas para tentar evitar o rebaixamento. Joaquim Levy hipotecou sua credibilidade junto à agência, mas de nada valeu. As garantias de socorro à Petrobras oferecidas pela equipe de Dilma em caso de insolvência foram rechaçadas. O ativo do governo brasileiro foi rejeitado e tratado como moeda podre.

A decisão da Moody’s também é a primeira reação explícita dos investidores às péssimas escolhas da presidente da República para o comando da estatal. Dilma perdeu chance de ouro para reverter expectativas deterioradas quando substituiu a diretoria envolta em corrupção. A opção pelo camarada Aldemir Bendine pôs tudo a perder.

A resposta petista à destruição da Petrobras vem na forma da truculência explicitada nas fotos estampadas nas primeiras páginas dos jornais de hoje. Se já não há mais argumentos racionais a sustentar o desastre e a defender a roubalheira, a ordem, endossada por Lula, é apelar para o grito e para a força. É o urro dos derrotados que se faz ouvir.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Não ao ‘impostaço’ do PT

O Congresso tem hoje excelente oportunidade para dar resposta a mais uma das maldades do governo do PT. Basta derrubar o veto da presidente Dilma Rousseff à correção de 6,5% da tabela do imposto de renda, aprovado por deputados e senadores no fim do ano passado. Os brasileiros não aguentam pagar tanto imposto.

O governo insiste na possibilidade de reajustar a tabela em, no máximo, 4,5%. Trata-se de proposta anunciada pela presidente em rede nacional de rádio e televisão em abril do ano passado, mas cuja medida provisória foi deixada ao relento pelo governo até caducar em agosto, sem ganhar eficácia.

Desde 2007, a tabela é reajustada apenas com base na meta de inflação. Desde então, só em duas ocasiões (2007 e 2009) não apanhou feio da escalada de preços. A defasagem acumulada no período soma 9,1%; só nos anos de governo Dilma, são 6,5%. É dinheiro tungado dos assalariados.

Na sexta-feira, a presidente disse que “nunca deixou de esconder” que só daria 4,5%... Em janeiro, Dilma vetou também o aumento da parcela de vencimentos isenta e dos valores deduzidos por dependentes e com despesas com educação. Sem a devida correção da tabela, mais gente passa a pagar imposto e gente que já pagava paga ainda mais.

O governo do PT argumenta que não tem dinheiro para bancar reajuste maior que os 4,5%. Ora, a diferença entre um percentual e outro é de R$ 2,6 bilhões, uma fração do que o petismo distribuiu nos últimos anos para os amigos do rei beneficiados com desonerações fiscais seletivas ou empréstimos camaradas do BNDES.

O discurso oficial alega que a arrecadação caiu em 2014, o que inviabilizaria a correção com base na inflação. É verdade, mas as razões da queda estão em escolhas do próprio governo – como a já citada política de desonerações, que levou R$ 104 bilhões – e na recessão econômica. Por que, então, o trabalhador é quem tem que pagar o pato?

impostaço já foi posto em marcha pela gestão petista. A alta do PIS/Cofins sobre combustíveis deixou a gasolina uns 9% mais cara neste mês. Também já subiu o IOF sobre créditos concedidos a pessoas físicas, o IPI sobre automóveis e, em junho, entrarão em vigor novas alíquotas de PIS/Cofins para importados e para produtos cosméticos. A mordida alcançará R$ 27 bilhões. A retomada da CPMF também está na mira.

Se não for posto um freio na sanha tributária petista – que já elevou a carga em cerca de três pontos do PIB desde 2011 – o céu será o limite. Quem mais sofre são os mais pobres. As próximas vítimas podem ser os prestadores de serviço, ameaçados pela ressurreição da famigerada MP 232, derrubada no Congresso em 2004 e ora reconsiderada. Não é nas costas dos mais fracos que deve recair a conta das irresponsabilidades cometidas pelo PT.