A cada ano, o enredo se repete. O PT comemora seu aniversário de fundação envolto na “pior crise de sua história”. A cada ano, descobrem-se casos ainda mais rumorosos envolvendo o partido que se intitula “dos trabalhadores” nas mais grossas falcatruas já cometidas por uma agremiação política no Brasil.
Os 36 anos de fundação do PT serão festejados com samba pelos petistas neste fim de semana. Só pode ser o do crioulo doido. A legenda é hoje, disparada, a mais rejeitada pelos brasileiros: 38% a consideram o partido de que menos gostam, segundo pesquisa divulgada pelo Ibope em novembro passado.
A presidente eleita pela sigla é a mais impopular da história brasileira. E, para coroar, o nome do seu líder-mor, Lula, é hoje mais associado aos mais cabeludos casos de roubalheira já descobertos no país do que a suas realizações na presidência da República: 70,3% dos brasileiros o consideram culpado por corrupção, segundo pesquisa divulgada nesta semana pelo instituto MDA.
Mesmo nas cordas, o PT nunca deixa de inovar. Na festa prevista para este fim de semana, o partido vai exercitar seu costumeiro movimento pendular, e tentar ser governo e oposição ao mesmo tempo. Vai buscar fingir que não tem nada a ver com a ruína que a presidente eleita pelo partido, ungida pelo seu líder-mor, promove. Elegeram Dilma? Agora aguentem.
Os petistas prepararam um “plano de emergência” que serviria, segundo afirmam, para “retomar as mudanças”. Mas a receita petista não tem nada de novo: prega a ressurreição das práticas e políticas que colaboraram diretamente para jogar o Brasil no buraco em que se encontra hoje. Práticas e políticas que Lula começou e Dilma aprofundou.
A bula dos petistas para mudar o mundo tem os seguintes ingredientes: elevação de impostos (metade das 16 medidas sugeridas), redução da taxa de juros na marra, aumento da concessão de créditos, maior investimento do Estado. Alguma semelhança com a velha “nova matriz econômica” não é mera coincidência. O PT deixa claro: a saída está em “dobrar a aposta” no modelo falido adotado desde 2008. Alguém se aventura?
No seu convescote deste fim de semana, os petistas prometem defender Lula e ensaiam até esculachar Dilma – um passo além do que fizeram no programa exibido na TV nesta semana, em que ignoraram a presidente. Nesta pauta, bem que poderiam incluir o item da hora: a constatação, cada vez mais forte, de que propina desviada das estatais financiou o projeto de poder do partido, como reforça hoje O Globo.
A enganosa capa de ética e modernidade do PT já ficou, esfarrapada, na poeira do tempo. Agora a associação direta da sigla é com a corrupção grossa e com o ideário retrógrado – como ficou claro, mais uma vez, na votação das mudanças nas regras do pré-sal. Sua pantomima acabou. Bem antes de envelhecer, os petistas ficaram gagás.
sábado, 27 de fevereiro de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
A alforria da Petrobras
O Senado aprovou ontem projeto de lei que abre perspectivas extremamente favoráveis para o país. Um desavisado poderia pensar que se trata, enfim, de alguma iniciativa positiva do governo, parte de algum de seus “pacotes”, para nos tirar do atoleiro. Mas não: a proposta que retira da Petrobras o fardo da obrigatoriedade de explorar toda e qualquer reserva do pré-sal é de iniciativa da oposição, esta mesma que o discurso oficial acusa de não apontar saídas para o Brasil e rezar pela cartilha do “quanto pior, melhor”.
O projeto é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) e sobreviveu a intenso bombardeio de Dilma Rousseff, do Palácio do Planalto e da bancada petista no Congresso. Obteve 40 votos favoráveis e 26 contrários. Ainda terá de passar pela apreciação da Câmara e pela sanção da presidente da República. Oxalá, a vanguarda do atraso, que ontem continuou estrilando nas tribunas do Senado, não interponha suas tropas retrógradas no caminho da mudança.
A proposta aprovada altera um dos cernes do marco regulatório do pré-sal, baixado em dezembro de 2010: a obrigatoriedade de a Petrobras, querendo ou não, ter participação de pelo menos 30% em todos os consórcios interessados em explorar as reservas ultraprofundas, bem como ser a operadora única das reservas. Para uma empresa alquebrada por uma gestão ruinosa e uma pilhagem sem precedentes na história, era quase como estar condenada ao pelourinho da escravidão, açoitada até a morte.
Hoje, a Petrobras simplesmente não ter a menor condição de fazer frente a esta imposição. Não tem dinheiro, tem dívidas demais, está com seus preços desequilibrados e em meio a uma crise mundial de queda recorde nas cotações do barril de petróleo. Seus investimentos tiveram de ser cortados pela metade. Numa situação como esta, carregar, querendo ou não, podendo ou não, o fardo do pré-sal nas costas é um pouco demais.
Durante mais de oito anos, graças à política populista de controle dos preços dos combustíveis para segurar artificialmente a inflação, a Petrobras ficou com fluxo de caixa negativo. Seus últimos balanços têm brindado os acionistas com prejuízos atrás de prejuízos – o mais recente de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2015.
A Petrobras é, de longe, a mais endividada das petrolíferas do mundo. Deve R$ 506 bilhões (o equivalente a 10% do PIB nacional). A empresa vale hoje apenas 13% do que chegou a valer no seu auge, alcançado em maio de 2008. Suas metas de produção jamais são atingidas – a traçada para 2020 foi recentemente reduzida em 35%, dada a incapacidade da estatal de fazer o que é sua obrigação: explorar petróleo, refiná-lo e distribuir combustível.
Consequência desta condição, ontem, junto com o rebaixamento da nota de crédito do país, a Moody’s também cortou novamente o rating da Petrobras. Mas o fez de uma forma muito mais abrupta: a empresa caiu simplesmente três degraus de uma só vez. Para voltar a obter grau de investimento, terá de subir seis níveis. A distância que a separa da classificação de “default”, ou seja, de empresa com risco de calote é menor: cinco níveis.
É esta empresa em pandarecos que ainda tem, pelas regras vigentes, que encarar todos os investimentos do pré-sal. Como isso não é possível, a exploração de novas áreas nas camadas ultraprofundas do Oceano Atlântico estão congeladas. E reservas inexploradas só servem para duas coisas: gerar discursos patéticos e disseminar pobreza.
Sem a estatal, a indústria do petróleo simplesmente parou no país nos últimos anos, levando centenas de municípios à quebradeira e milhares de empregos para o fundo do poço – vide o que acontece no Rio de Janeiro e na indústria naval. Não há novos leilões, nem novos investimentos e o ritmo de exploração de novos poços retrocedeu ao nível de 1970, como mostrou o Valor Econômico ontem. Uma perda estimada pela Firjan em uns R$ 45 bilhões por ano.
Os opositores do projeto aprovado ontem acusam a oposição de querer vender a empresa “a preço de banana”. Curioso isso. Quem está rifando ativos da Petrobras na bacia das almas – há perspectiva de alienação de US$ 14,4 bilhões neste ano – é o governo que esta gente defende. Mais: entre estes ativos estão, surpresa, várias áreas do pré-sal que estes arautos do atraso dizem ser intocáveis, como mostrou O Globo em julho passado.
Na realidade, a concentração de poder derivada das regras originais do pré-sal só serviu para uma coisa: alimentar o petrolão, girar a engrenagem de dinheiro sujo da corrupção que moveu a perpetuação do PT no poder. Nem para gerar recursos para educação e saúde, como sustenta o discurso oficial, prestou: mais de R$ 31 bilhões de royalties que deveriam ter tido esta destinação em 2015 foram usados para pagar pedaladas. O único leilão sob o novo regime realizado até agora não obteve uma gota de ágio e não atraiu mais que um concorrente.
O projeto aprovado ontem no Senado tem o cuidado de reservar à Petrobras a prerrogativa de, quando entender que pode e deve, avocar a si o direito de preferência na exploração de novos poços do pré-sal postos em leilão. Como qualquer empresa que vise gerar lucros e benefícios à sociedade, a estatal poderá escolher se deve ou não arriscar e investir. Quando não quiser, não faz. Simples assim. “No novo marco que proponho, a Petrobrás recuperaria o direito de selecionar os seus investimentos, de acordo com a sua capacidade econômica e seu interesse estratégico”, resume Serra em artigo publicado hoje n’O Estado de S. Paulo.
É possível que ontem tenha sido um dia de festa na Petrobras. Seu corpo técnico, seus operadores, seus funcionários devem ter comemorado a perspectiva de algum alento para a empresa. Salva pela oposição, a estatal pode, enfim, começar a sonhar com dias melhores. Surge no horizonte o fim do tempo em que a outrora maior empresa do país foi posta de joelhos, escrava do projeto de poder de um partido político e dos paladinos da vanguarda do atraso.
O projeto é de autoria do senador José Serra (PSDB-SP) e sobreviveu a intenso bombardeio de Dilma Rousseff, do Palácio do Planalto e da bancada petista no Congresso. Obteve 40 votos favoráveis e 26 contrários. Ainda terá de passar pela apreciação da Câmara e pela sanção da presidente da República. Oxalá, a vanguarda do atraso, que ontem continuou estrilando nas tribunas do Senado, não interponha suas tropas retrógradas no caminho da mudança.
A proposta aprovada altera um dos cernes do marco regulatório do pré-sal, baixado em dezembro de 2010: a obrigatoriedade de a Petrobras, querendo ou não, ter participação de pelo menos 30% em todos os consórcios interessados em explorar as reservas ultraprofundas, bem como ser a operadora única das reservas. Para uma empresa alquebrada por uma gestão ruinosa e uma pilhagem sem precedentes na história, era quase como estar condenada ao pelourinho da escravidão, açoitada até a morte.
Hoje, a Petrobras simplesmente não ter a menor condição de fazer frente a esta imposição. Não tem dinheiro, tem dívidas demais, está com seus preços desequilibrados e em meio a uma crise mundial de queda recorde nas cotações do barril de petróleo. Seus investimentos tiveram de ser cortados pela metade. Numa situação como esta, carregar, querendo ou não, podendo ou não, o fardo do pré-sal nas costas é um pouco demais.
Durante mais de oito anos, graças à política populista de controle dos preços dos combustíveis para segurar artificialmente a inflação, a Petrobras ficou com fluxo de caixa negativo. Seus últimos balanços têm brindado os acionistas com prejuízos atrás de prejuízos – o mais recente de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre de 2015.
A Petrobras é, de longe, a mais endividada das petrolíferas do mundo. Deve R$ 506 bilhões (o equivalente a 10% do PIB nacional). A empresa vale hoje apenas 13% do que chegou a valer no seu auge, alcançado em maio de 2008. Suas metas de produção jamais são atingidas – a traçada para 2020 foi recentemente reduzida em 35%, dada a incapacidade da estatal de fazer o que é sua obrigação: explorar petróleo, refiná-lo e distribuir combustível.
Consequência desta condição, ontem, junto com o rebaixamento da nota de crédito do país, a Moody’s também cortou novamente o rating da Petrobras. Mas o fez de uma forma muito mais abrupta: a empresa caiu simplesmente três degraus de uma só vez. Para voltar a obter grau de investimento, terá de subir seis níveis. A distância que a separa da classificação de “default”, ou seja, de empresa com risco de calote é menor: cinco níveis.
É esta empresa em pandarecos que ainda tem, pelas regras vigentes, que encarar todos os investimentos do pré-sal. Como isso não é possível, a exploração de novas áreas nas camadas ultraprofundas do Oceano Atlântico estão congeladas. E reservas inexploradas só servem para duas coisas: gerar discursos patéticos e disseminar pobreza.
Sem a estatal, a indústria do petróleo simplesmente parou no país nos últimos anos, levando centenas de municípios à quebradeira e milhares de empregos para o fundo do poço – vide o que acontece no Rio de Janeiro e na indústria naval. Não há novos leilões, nem novos investimentos e o ritmo de exploração de novos poços retrocedeu ao nível de 1970, como mostrou o Valor Econômico ontem. Uma perda estimada pela Firjan em uns R$ 45 bilhões por ano.
Os opositores do projeto aprovado ontem acusam a oposição de querer vender a empresa “a preço de banana”. Curioso isso. Quem está rifando ativos da Petrobras na bacia das almas – há perspectiva de alienação de US$ 14,4 bilhões neste ano – é o governo que esta gente defende. Mais: entre estes ativos estão, surpresa, várias áreas do pré-sal que estes arautos do atraso dizem ser intocáveis, como mostrou O Globo em julho passado.
Na realidade, a concentração de poder derivada das regras originais do pré-sal só serviu para uma coisa: alimentar o petrolão, girar a engrenagem de dinheiro sujo da corrupção que moveu a perpetuação do PT no poder. Nem para gerar recursos para educação e saúde, como sustenta o discurso oficial, prestou: mais de R$ 31 bilhões de royalties que deveriam ter tido esta destinação em 2015 foram usados para pagar pedaladas. O único leilão sob o novo regime realizado até agora não obteve uma gota de ágio e não atraiu mais que um concorrente.
O projeto aprovado ontem no Senado tem o cuidado de reservar à Petrobras a prerrogativa de, quando entender que pode e deve, avocar a si o direito de preferência na exploração de novos poços do pré-sal postos em leilão. Como qualquer empresa que vise gerar lucros e benefícios à sociedade, a estatal poderá escolher se deve ou não arriscar e investir. Quando não quiser, não faz. Simples assim. “No novo marco que proponho, a Petrobrás recuperaria o direito de selecionar os seus investimentos, de acordo com a sua capacidade econômica e seu interesse estratégico”, resume Serra em artigo publicado hoje n’O Estado de S. Paulo.
É possível que ontem tenha sido um dia de festa na Petrobras. Seu corpo técnico, seus operadores, seus funcionários devem ter comemorado a perspectiva de algum alento para a empresa. Salva pela oposição, a estatal pode, enfim, começar a sonhar com dias melhores. Surge no horizonte o fim do tempo em que a outrora maior empresa do país foi posta de joelhos, escrava do projeto de poder de um partido político e dos paladinos da vanguarda do atraso.
Marcadores:
José Serra,
Petrobras,
pré-sal,
projetos de lei da oposição
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016
‘Os caras’... de pau
O destino pregou, de novo, mais uma peça nos petistas. Na mesma hora em que o PT colocava no ar mais uma de suas fantasiosas, cínicas e inverídicas propagandas no rádio e na televisão, o marqueteiro que forjou a narrativa seguida pelo partido nos últimos anos preparava-se para dormir sua primeira noite na cadeira. Nada mais representativo da distância entre o discurso e a prática da legenda que governa o país há 13 anos.
Não sem razão, os dez minutos da falação petista foram acompanhados país afora pela trilha sonora de um dos maiores panelaços da nossa história. O ápice dos protestos deu-se quando Lula, na maior cara de pau, apareceu no vídeo. Foi um minuto e meio em que ele apresentou um Brasil que não existe, um sucesso que seu partido jamais protagonizou. O povo não é bobo.
No texto que lhe deram para ler, Lula citou um monte de estatísticas fora de contexto, mas, convenientemente, deixou de lado a principal informação: com o PT, o Brasil tornou-se o país com o pior desempenho econômico em todo o mundo – à frente apenas da Venezuela, cuja destruição populista nem conta como comparação.
Lula apropriou-se, ainda, de supostas conquistas sociais que já estão ficando no passado, corroídas pela crise-monstro em que suas políticas, aprofundadas por Dilma, nos mergulharam. Basta dizer que, entre 2014 e 2017, a população brasileira deve ficar, em média, 10% mais pobre, em razão da queda do PIB, do desemprego e da inflação. Isso, Lula não fala; isso, o PT esconde.
Sobre as ruidosas denúncias que a cada dia surgem contra ele, “o cara” se calou. Nem um pio do “mais honesto” dos mortais também sobre as suspeitas crescentes de que o sucesso eleitoral dele e de sua pupila deve tributo ao dinheiro sujo da corrupção, surrupiado dos cofres públicos, usurpado da mesma gente humilde que os petistas usam como mera ilustração de suas propagandas mentirosas.
Não bastasse isso, no programa veiculado ontem, o partido que sempre pregou o ódio, que sempre tratou adversários como inimigos e que azucrinou a vida de todos os governos na época em que ainda era oposição diz agora que a hora é de “reunir forças para fortalecer o Brasil”. Em favor de quê? Do governo mais corrupto da história? Da gestão mais desastrosa que o país já teve?
Mas o DNA do escorpião não demorou a se manifestar e, dois minutos depois de pedir união, o PT já assacava suas velhas diatribes, sustentando a surrada acusação de que “o Brasil quebrou três vezes” em “governos passados”. Omitiu, contudo, que isso aconteceu nas gestões de presidentes da República que, depois, tornaram-se fieis aliados de Lula e Dilma e ainda hoje compõem a base de apoio do PT.
No velho estilo João Santana, a propaganda petista novamente fez jorrar números fantasiosos, realidades mirabolantes. Será que eles não aprendem que foi esta mentirada que enterrou o Brasil nesta crise sem tamanho? Que é este irrealismo que irrita os brasileiros que buscam uma saída e não veem ninguém no governo capaz de apresentá-la?
O programa petista exagera o passado e esquece o presente. Cita o Minha Casa Minha Vida, programa hoje estacionado, alvo de cortes e mais cortes e que só sobrevive à custa de dinheiro do trabalhador. Lista a vistosa criação de empregos que agora caminha para se transformar na maior destruição de postos de trabalho das últimas décadas. Fala da valorização do salário mínimo, que, com a recessão, sumirá do horizonte pelo menos até 2019.
Menciona, ainda, grandes crises globais, mas não diz que a que o PT patrocina será a maior recessão de todos os tempos na história do Brasil. E ainda tem o disparate de afirmar, pela boca de Rui Falcão, que tudo isso se dá “sem recuar nos direitos, na renda e nos salário dos trabalhadores”. Em que país esta gente vive?
O programa exibido ontem pelo PT é o retrato acabado do descolamento entre o partido e o país. A máscara caiu, o castelo de areia desabou, a farsa desnudou-se. Agora é hora de quem transformou a realidade numa propaganda de margarina para ganhar eleições pague pelo mal que causou ao Brasil. A limpeza já começou. Agora é avançar para que fique claro que as caras eram de pau.
Não sem razão, os dez minutos da falação petista foram acompanhados país afora pela trilha sonora de um dos maiores panelaços da nossa história. O ápice dos protestos deu-se quando Lula, na maior cara de pau, apareceu no vídeo. Foi um minuto e meio em que ele apresentou um Brasil que não existe, um sucesso que seu partido jamais protagonizou. O povo não é bobo.
No texto que lhe deram para ler, Lula citou um monte de estatísticas fora de contexto, mas, convenientemente, deixou de lado a principal informação: com o PT, o Brasil tornou-se o país com o pior desempenho econômico em todo o mundo – à frente apenas da Venezuela, cuja destruição populista nem conta como comparação.
Lula apropriou-se, ainda, de supostas conquistas sociais que já estão ficando no passado, corroídas pela crise-monstro em que suas políticas, aprofundadas por Dilma, nos mergulharam. Basta dizer que, entre 2014 e 2017, a população brasileira deve ficar, em média, 10% mais pobre, em razão da queda do PIB, do desemprego e da inflação. Isso, Lula não fala; isso, o PT esconde.
Sobre as ruidosas denúncias que a cada dia surgem contra ele, “o cara” se calou. Nem um pio do “mais honesto” dos mortais também sobre as suspeitas crescentes de que o sucesso eleitoral dele e de sua pupila deve tributo ao dinheiro sujo da corrupção, surrupiado dos cofres públicos, usurpado da mesma gente humilde que os petistas usam como mera ilustração de suas propagandas mentirosas.
Não bastasse isso, no programa veiculado ontem, o partido que sempre pregou o ódio, que sempre tratou adversários como inimigos e que azucrinou a vida de todos os governos na época em que ainda era oposição diz agora que a hora é de “reunir forças para fortalecer o Brasil”. Em favor de quê? Do governo mais corrupto da história? Da gestão mais desastrosa que o país já teve?
Mas o DNA do escorpião não demorou a se manifestar e, dois minutos depois de pedir união, o PT já assacava suas velhas diatribes, sustentando a surrada acusação de que “o Brasil quebrou três vezes” em “governos passados”. Omitiu, contudo, que isso aconteceu nas gestões de presidentes da República que, depois, tornaram-se fieis aliados de Lula e Dilma e ainda hoje compõem a base de apoio do PT.
No velho estilo João Santana, a propaganda petista novamente fez jorrar números fantasiosos, realidades mirabolantes. Será que eles não aprendem que foi esta mentirada que enterrou o Brasil nesta crise sem tamanho? Que é este irrealismo que irrita os brasileiros que buscam uma saída e não veem ninguém no governo capaz de apresentá-la?
O programa petista exagera o passado e esquece o presente. Cita o Minha Casa Minha Vida, programa hoje estacionado, alvo de cortes e mais cortes e que só sobrevive à custa de dinheiro do trabalhador. Lista a vistosa criação de empregos que agora caminha para se transformar na maior destruição de postos de trabalho das últimas décadas. Fala da valorização do salário mínimo, que, com a recessão, sumirá do horizonte pelo menos até 2019.
Menciona, ainda, grandes crises globais, mas não diz que a que o PT patrocina será a maior recessão de todos os tempos na história do Brasil. E ainda tem o disparate de afirmar, pela boca de Rui Falcão, que tudo isso se dá “sem recuar nos direitos, na renda e nos salário dos trabalhadores”. Em que país esta gente vive?
O programa exibido ontem pelo PT é o retrato acabado do descolamento entre o partido e o país. A máscara caiu, o castelo de areia desabou, a farsa desnudou-se. Agora é hora de quem transformou a realidade numa propaganda de margarina para ganhar eleições pague pelo mal que causou ao Brasil. A limpeza já começou. Agora é avançar para que fique claro que as caras eram de pau.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2016
Não falta mais nada
A prisão de João Santana impõe a seguinte questão: o que mais falta para que a campanha que reelegeu Dilma Rousseff seja considerada ilegítima, irregular, corrupta? O cerco sobre a chapa presidencial que obteve a vitória em 2014 está se fechando, com todas as cabeças coroadas envolvidas na reeleição enredadas de alguma maneira em falcatruas e roubalheiras.
O despacho do juiz Sergio Moro que determinou a prisão do marqueteiro e principal consultor dos governos do PT não deixa margem a dúvidas. Dinheiro de “origem espúria”, “propina oriunda da Petrobras” e “expedientes notoriamente fraudulentos” foram usados para bancar a campanha de Dilma no ano passado. Há suspeitas de que as vitórias petistas em 2006 e 2010 também tenham se valido destes artifícios.
É a segunda vez que o marqueteiro das campanhas vitoriosas do PT entra na mira da Justiça: Duda Mendonça já confessara, em 2005, ter recebido R$ 12 milhões de caixa dois no exterior. A diferença agora é de proporções: nesta contabilidade suja, João Santana vale uma dúzia ou mais de Dudas.
Esta poderosa associação entre dinheiro sujo e preservação de poder movimentou R$ 198 milhões em campanhas eleitorais petistas entre 2004 e 2014, aí incluídas a reeleição de Lula, as duas vitórias de Dilma e o triunfo de Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. Trata-se de uma engrenagem tentacular, poderosa e muito cara.
É muito difícil crer que Dilma seja uma ilha de honestidade em meio ao mar de lama em que seu partido e seus partidários afundam. O envolvimento do PT com a corrupção é visceral, não vem de agora e atinge todas as suas instâncias.
Todos os últimos tesoureiros do PT estão presos ou, no caso do ainda ministro Edinho Silva, são alvo de investigação no âmbito da Operação Lava Jato. Ministros de primeiríssimo escalão, como Jaques Wagner, também são alvo da Justiça. Ex-presidentes e líderes do PT estão ou estiveram na prisão. Os principais doadores da campanha petista estão condenados e presos.
Como se não bastasse, Lula também está a um passo de passar a ser formalmente investigado por “possível envolvimento” em “práticas criminosas” – repasses de dinheiro desviado de estatais para a construção do instituto que leva seu nome. Sem falar nas investigações sobre o tríplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e o tráfico de influência em favor da Odebrecht, na forma de contratos bilionários no exterior financiados pelo BNDES, como mostrou a edição da revista Época desta semana.
Tem-se como corolário que a mesma “sofisticada organização criminosa” que atuou no mensalão continuou suas investidas, com ímpeto crescente, mesmo depois de condenada pelo Supremo Tribunal Federal. A diferença é de proporções: os milhões da compra de apoio político no Congresso transformaram-se nos bilhões para financiar a permanência do PT no governo. O crime escalou vários degraus.
As novas revelações em torno de João Santana corroboram praticamente todos os argumentos que embasam as ações movidas pelo PSDB junto à Justiça Eleitoral para impugnar a chapa Dilma-Temer: uso da máquina pública, abuso de poder político e econômico, configurado na forma de recebimento de propina de empresas envolvidas na Lava Jato, financiamento eleitoral irregular, propaganda ilegal e todo tipo de maquiagem em dados oficiais. A eles, se junta agora a suspeita evidente de uso de caixa dois na campanha petista.
O despacho do juiz Sergio Moro que determinou a prisão do marqueteiro e principal consultor dos governos do PT não deixa margem a dúvidas. Dinheiro de “origem espúria”, “propina oriunda da Petrobras” e “expedientes notoriamente fraudulentos” foram usados para bancar a campanha de Dilma no ano passado. Há suspeitas de que as vitórias petistas em 2006 e 2010 também tenham se valido destes artifícios.
É a segunda vez que o marqueteiro das campanhas vitoriosas do PT entra na mira da Justiça: Duda Mendonça já confessara, em 2005, ter recebido R$ 12 milhões de caixa dois no exterior. A diferença agora é de proporções: nesta contabilidade suja, João Santana vale uma dúzia ou mais de Dudas.
Esta poderosa associação entre dinheiro sujo e preservação de poder movimentou R$ 198 milhões em campanhas eleitorais petistas entre 2004 e 2014, aí incluídas a reeleição de Lula, as duas vitórias de Dilma e o triunfo de Fernando Haddad na disputa pela prefeitura de São Paulo. Trata-se de uma engrenagem tentacular, poderosa e muito cara.
É muito difícil crer que Dilma seja uma ilha de honestidade em meio ao mar de lama em que seu partido e seus partidários afundam. O envolvimento do PT com a corrupção é visceral, não vem de agora e atinge todas as suas instâncias.
Todos os últimos tesoureiros do PT estão presos ou, no caso do ainda ministro Edinho Silva, são alvo de investigação no âmbito da Operação Lava Jato. Ministros de primeiríssimo escalão, como Jaques Wagner, também são alvo da Justiça. Ex-presidentes e líderes do PT estão ou estiveram na prisão. Os principais doadores da campanha petista estão condenados e presos.
Como se não bastasse, Lula também está a um passo de passar a ser formalmente investigado por “possível envolvimento” em “práticas criminosas” – repasses de dinheiro desviado de estatais para a construção do instituto que leva seu nome. Sem falar nas investigações sobre o tríplex do Guarujá, o sítio de Atibaia e o tráfico de influência em favor da Odebrecht, na forma de contratos bilionários no exterior financiados pelo BNDES, como mostrou a edição da revista Época desta semana.
Tem-se como corolário que a mesma “sofisticada organização criminosa” que atuou no mensalão continuou suas investidas, com ímpeto crescente, mesmo depois de condenada pelo Supremo Tribunal Federal. A diferença é de proporções: os milhões da compra de apoio político no Congresso transformaram-se nos bilhões para financiar a permanência do PT no governo. O crime escalou vários degraus.
As novas revelações em torno de João Santana corroboram praticamente todos os argumentos que embasam as ações movidas pelo PSDB junto à Justiça Eleitoral para impugnar a chapa Dilma-Temer: uso da máquina pública, abuso de poder político e econômico, configurado na forma de recebimento de propina de empresas envolvidas na Lava Jato, financiamento eleitoral irregular, propaganda ilegal e todo tipo de maquiagem em dados oficiais. A eles, se junta agora a suspeita evidente de uso de caixa dois na campanha petista.
Fica claro por que o PT tenta, de todas as formas, impedir que, no julgamento das ações movidas pelo PSDB, o TSE faça uso das provas colhidas pela Operação Lava Jato. A começar pela manifestação, enviada por Sergio Moro ao tribunal em outubro, de que o direcionamento de dinheiro de propina para a campanha de Dilma em 2014 já está comprovado.
Os salutares avanços das investigações da Operação Lava Jato revelam um Estado corrompido, comprado, loteado por interesses alheios aos do país. Desnudam um conluio entre quem quer continuar ganhando dinheiro à custa do povo e quem pretende apenas continuar a usufruir o poder. Trata-se de um sistema corrupto, que gera mandatos ilegítimos e que frauda a vontade popular. Um sistema que não pode mais continuar dando as cartas no Brasil.
Os salutares avanços das investigações da Operação Lava Jato revelam um Estado corrompido, comprado, loteado por interesses alheios aos do país. Desnudam um conluio entre quem quer continuar ganhando dinheiro à custa do povo e quem pretende apenas continuar a usufruir o poder. Trata-se de um sistema corrupto, que gera mandatos ilegítimos e que frauda a vontade popular. Um sistema que não pode mais continuar dando as cartas no Brasil.
Marcadores:
impeachment,
investigações contra Dilma,
João Santana,
Operação Lava Jato,
TSE
Assinar:
Postagens (Atom)
