Aqui e acolá começam a surgir sinais de que, quem sabe, o pior da crise econômica pode estar ficando para trás. Tomara. Mas nenhum lampejo de melhora será realmente significativo enquanto os brasileiros continuarem perdendo seus empregos. Por ora, infelizmente, é isso o que segue acontecendo.
Nesta manhã, o IBGE divulgou nova rodada da pesquisa mensal dedicada a medir o desemprego no país. Segundo a Pnad Contínua referente ao trimestre entre março e maio, a taxa manteve-se em 11,2%. É a maior da série iniciada em 2012, embora, pela primeira vez desde o fim de 2015, não tenha aumentado em relação ao último dado divulgado mensalmente.
O mais significativo, e doloroso, é que 11,4 milhões de pessoas mantêm-se desempregadas no Brasil. Pode-se olhar, com horror, para o aumento em relação a um ano atrás: são mais 3,3 milhões de pessoas que ficaram sem trabalho, com alta de 40%. Mas pode-se aferir, com espanto redobrado, que apenas nos últimos três meses mais 1,1 milhão de brasileiros perderam seus empregos.
Grosso modo, significa que só neste último trimestre, a cada dia, útil ou inútil, mais de 12 mil pessoas foram para a rua da amargura. Não há família que não tenha um caso assim; não há quem não conviva com uma destas situações à beira do desespero.
Os prognósticos ainda não são auspiciosos. A maior parte dos analistas trabalha com a hipótese de que o desemprego vai aumentar mais no país. Estima-se que a taxa atinja algo como 12,5% até meados do ano que vem, quando, finalmente, deixaria de crescer. Significa dizer que, numa conta linear, mais cerca de 1,3 milhão de pessoas ainda engordarão o time dos desempregados nos próximos 12 meses.
O país só irá fazer esta roda do infortúnio passar a girar ao contrário quando a economia finalmente voltar a crescer. Por enquanto, ainda estamos dois estágios antes: aparentemente, a atividade está parando de piorar. Para quem viveu os últimos dois anos ladeira abaixo, não deixa de ser um alento.
Para que de fato a economia brasileira se recupere, é preciso que o novo governo e as forças que o apoiam não esmoreçam na determinação de levar adiante medidas voltadas a sepultar o modelo ruinoso que vigorou no país nos últimos anos. Trata-se de enfrentar, com coragem, uma agenda de reformas que o petismo negligenciou.
Há boas indicações neste sentido. A determinação de barrar o aumento de gastos, o maior realismo fiscal, a discussão de novas regras para as aposentadorias, a privatização de ativos dos estados, a retomada das concessões e uma nova política externa voltada para o mundo e não de costas para ele. Feita a lição de casa, há chance de o motor do emprego voltar a girar. Quem está desempregado torce por isso, e agradece.
quinta-feira, 30 de junho de 2016
quarta-feira, 29 de junho de 2016
O copo todo cheio
Os peritos recrutados para analisar os crimes de que Dilma Rousseff é acusada concluíram que não resta dúvida de que ambos os delitos citados no processo de impeachment existiram. A presidente afastada envolveu-se diretamente num deles, a edição de decretos de crédito suplementar, e fez vista grossa ao outro, o beiço que o Tesouro deu no Banco do Brasil.
Tem gente tão fora da realidade que consegue ver nas conclusões dos peritos – um calhamaço de 223 páginas – abono à conduta de Dilma. Ela inclusive. Só mesmo o desespero e a absoluta falta de nexo poderiam justificar interpretação desta natureza. O que resta claro é que a petista feriu, sim, a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e praticou crime de responsabilidade punível com perda de mandato.
Os decretos em que Dilma gostosamente apôs sua assinatura autorizaram gastos adicionais quando o Orçamento da União já fazia água, ou seja, já demandava cortes de despesas, a fim de evitar o rombo iminente e crescente. Era julho e agosto de 2015, e até as samambaias do Planalto já sabiam que o superávit prometido – primeiro de R$ 66 bilhões, depois de R$ 8,7 bilhões – não passava de miragem ou, pior, logro. O ano acabou com déficit de R$ 111 bilhões.
Dilma tocou a irresponsabilidade fiscal adiante, dando de ombros ao Congresso, a quem cabe autorizar todo e qualquer novo gasto. É crime.
No caso das operações de financiamento do Plano Safra, os peritos dizem que não viram “ato comissivo” da presidente, isto é, ela não teria tomado parte direta na iniciativa. No entanto, restou provado pelos especialistas ouvidos pela comissão de impeachment que as operações constituíram empréstimo do Tesouro ao Banco do Brasil, o que é proibido pela LRF em seu artigo 36. Não há copo meio vazio nesta história.
As operações estavam tanto em desacordo com a legalidade que a Lei Orçamentária de 2015, aprovada pelo Congresso e depois sancionada pela presidente da República, previa montante de recursos para equalização de juros do Plano Safra (R$ 8,4 bilhões) insuficiente até para quitar o passivo que o Tesouro já carregava junto ao BB (R$ 10,9 bilhões), conforme ressalta O Globo. Além disso, foram pagos juros pelos atrasos, o que deixa claríssima a condição de empréstimo das operações.
Os peritos debruçaram-se apenas sobre as alegações da peça de acusação contra a presidente em tramitação no Senado. Se restassem dúvidas quanto à participação direta de Dilma Rousseff na burla ao orçamento público, ainda haveria carradas de razão na análise que o TCU faz atualmente de todas as contas da presidente afastada relativas a 2015. Nela, fica demonstrado também que, para saldar as pedaladas, a petista voltou a pedalar. Não tem para onde correr: o crime está mais que configurado e o impeachment é favas contadas.
Tem gente tão fora da realidade que consegue ver nas conclusões dos peritos – um calhamaço de 223 páginas – abono à conduta de Dilma. Ela inclusive. Só mesmo o desespero e a absoluta falta de nexo poderiam justificar interpretação desta natureza. O que resta claro é que a petista feriu, sim, a Constituição, a Lei de Responsabilidade Fiscal e praticou crime de responsabilidade punível com perda de mandato.
Os decretos em que Dilma gostosamente apôs sua assinatura autorizaram gastos adicionais quando o Orçamento da União já fazia água, ou seja, já demandava cortes de despesas, a fim de evitar o rombo iminente e crescente. Era julho e agosto de 2015, e até as samambaias do Planalto já sabiam que o superávit prometido – primeiro de R$ 66 bilhões, depois de R$ 8,7 bilhões – não passava de miragem ou, pior, logro. O ano acabou com déficit de R$ 111 bilhões.
Dilma tocou a irresponsabilidade fiscal adiante, dando de ombros ao Congresso, a quem cabe autorizar todo e qualquer novo gasto. É crime.
No caso das operações de financiamento do Plano Safra, os peritos dizem que não viram “ato comissivo” da presidente, isto é, ela não teria tomado parte direta na iniciativa. No entanto, restou provado pelos especialistas ouvidos pela comissão de impeachment que as operações constituíram empréstimo do Tesouro ao Banco do Brasil, o que é proibido pela LRF em seu artigo 36. Não há copo meio vazio nesta história.
As operações estavam tanto em desacordo com a legalidade que a Lei Orçamentária de 2015, aprovada pelo Congresso e depois sancionada pela presidente da República, previa montante de recursos para equalização de juros do Plano Safra (R$ 8,4 bilhões) insuficiente até para quitar o passivo que o Tesouro já carregava junto ao BB (R$ 10,9 bilhões), conforme ressalta O Globo. Além disso, foram pagos juros pelos atrasos, o que deixa claríssima a condição de empréstimo das operações.
Os peritos debruçaram-se apenas sobre as alegações da peça de acusação contra a presidente em tramitação no Senado. Se restassem dúvidas quanto à participação direta de Dilma Rousseff na burla ao orçamento público, ainda haveria carradas de razão na análise que o TCU faz atualmente de todas as contas da presidente afastada relativas a 2015. Nela, fica demonstrado também que, para saldar as pedaladas, a petista voltou a pedalar. Não tem para onde correr: o crime está mais que configurado e o impeachment é favas contadas.
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terça-feira, 28 de junho de 2016
Brexit: Sem saída
Na última quinta-feira, o mundo amanheceu diferente. A decisão tomada pelos ingleses de abandonar a União Europeia terá efeitos importantes sobre a economia política global, sem poupar o Brasil. Desperdiçamos tempo demais descolados do resto do mundo e teremos dificuldades maiores agora para recuperar oportunidades perdidas.
O fato em si foi surpreendente: em plebiscito, 52% dos ingleses votaram pela saída do Reino Unido do bloco ao qual estavam atados desde 1973. A economia inglesa é a segunda mais relevante da União Europeia, por sua vez o segundo principal destino das exportações brasileiras, com cerca de 18% do total, pouco abaixo da China.
As consequências da decisão histórica, contudo, ainda são de difícil mensuração. O primeiro efeito visível é que a onda de rejeição a estrangeiros e a aversão a movimentos globalizantes podem tornar-se ainda mais fortes e resvalar em outros países. É possível que França, Holanda e Itália, entre outros, também submetem a sua continuidade na UE a votações populares. São as dores da democracia.
A ressaca também pode bater do outro lado do Atlântico e impulsionar a campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. A mesma retórica xenófoba ancora a plataforma do candidato do Partido Republicano à Casa Branca. Um mundo com portas mais cerradas não pode ser bom para ninguém, tampouco para o Brasil.
Os interesses brasileiros tendem a ser diretamente afetados pelo Brexit, alcunha pela qual a decisão dos ingleses pela saída da UE ficou conhecida. Há anos a nossa diplomacia está sentada em cima de um acordo comercial com o bloco europeu, sem sair do lugar. A oportunidade pode estar agora bastante comprometida.
Na última década, a política externa brasileira baseou-se em muita ideologia e pouca visão de longo prazo. Em favor de uma tão difusa quanto ilusória identidade cultural, demos as costas a nações mais ricas e voltamo-nos a países cujos governos tinham viés político alinhado ao berço histórico do Partido dos Trabalhadores, sem deixar de lado ditaduras tão corruptas quanto endinheiradas na África.
A consequência desta política externa foi o isolamento do Brasil perante o polo dinâmico da economia mundial. Nossas empresas perderam seguidas chances de se conectar com cadeias globais de produção, com efeitos que hoje qualquer um percebe: nossa economia está embicada na mais severa recessão de sua história e o setor mais dinâmico, a indústria, amarga o pior retrocesso de décadas.
O que o Brexit nos ensina é o custo que decisões equivocadas podem ter para o futuro das nações. No caso brasileiro, desperdiçamos um dos maiores momentos de bonança da história e não nos preparamos para um mundo de animosidades – políticas, econômicas e culturais – crescentes. Será bem mais difícil entrar agora onde só há portas se fechando.
O fato em si foi surpreendente: em plebiscito, 52% dos ingleses votaram pela saída do Reino Unido do bloco ao qual estavam atados desde 1973. A economia inglesa é a segunda mais relevante da União Europeia, por sua vez o segundo principal destino das exportações brasileiras, com cerca de 18% do total, pouco abaixo da China.
As consequências da decisão histórica, contudo, ainda são de difícil mensuração. O primeiro efeito visível é que a onda de rejeição a estrangeiros e a aversão a movimentos globalizantes podem tornar-se ainda mais fortes e resvalar em outros países. É possível que França, Holanda e Itália, entre outros, também submetem a sua continuidade na UE a votações populares. São as dores da democracia.
A ressaca também pode bater do outro lado do Atlântico e impulsionar a campanha de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. A mesma retórica xenófoba ancora a plataforma do candidato do Partido Republicano à Casa Branca. Um mundo com portas mais cerradas não pode ser bom para ninguém, tampouco para o Brasil.
Os interesses brasileiros tendem a ser diretamente afetados pelo Brexit, alcunha pela qual a decisão dos ingleses pela saída da UE ficou conhecida. Há anos a nossa diplomacia está sentada em cima de um acordo comercial com o bloco europeu, sem sair do lugar. A oportunidade pode estar agora bastante comprometida.
Na última década, a política externa brasileira baseou-se em muita ideologia e pouca visão de longo prazo. Em favor de uma tão difusa quanto ilusória identidade cultural, demos as costas a nações mais ricas e voltamo-nos a países cujos governos tinham viés político alinhado ao berço histórico do Partido dos Trabalhadores, sem deixar de lado ditaduras tão corruptas quanto endinheiradas na África.
A consequência desta política externa foi o isolamento do Brasil perante o polo dinâmico da economia mundial. Nossas empresas perderam seguidas chances de se conectar com cadeias globais de produção, com efeitos que hoje qualquer um percebe: nossa economia está embicada na mais severa recessão de sua história e o setor mais dinâmico, a indústria, amarga o pior retrocesso de décadas.
O que o Brexit nos ensina é o custo que decisões equivocadas podem ter para o futuro das nações. No caso brasileiro, desperdiçamos um dos maiores momentos de bonança da história e não nos preparamos para um mundo de animosidades – políticas, econômicas e culturais – crescentes. Será bem mais difícil entrar agora onde só há portas se fechando.
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sábado, 25 de junho de 2016
Na garupa da propina
Com a prisão de Paulo Bernardo e o envolvimento de Carlos Gabas, as investigações sobre a corrupção praticadas pelos governos do PT já são suficientes para praticamente escalar um ministério inteiro do crime. As falcatruas se espalharam por todas as áreas da administração pública nas gestões de Lula e Dilma.
A Polícia Federal prendeu ontem o ministro que cuidou do planejamento e das comunicações nos governos petistas – além de ter uma ficha corrida de serviços prestados ao partido nos estados. Também arrolou o ex-ministro da Previdência e Aviação Civil de Dilma Rousseff. E incluiu, ainda, no rol de detidos o terceiro tesoureiro do PT flagrado na roubalheira e o secretário escalado pelo prefeito Fernando Haddad para cuidar da gestão do município de São Paulo. Precisa mais?
Nove ex-ministros de Dilma estão devendo para a Justiça, entre eles Gabas, amigão com quem a presidente afastada costumava dar rolezinhos por Brasília aboletada na garupa de uma moto Harley-Davidson, devidamente apreendida ontem como mais um fruto da corrupção. Se computarmos os ministros de Lula que estão na mesma situação ou já gramaram algum tempo atrás das grades, seria preciso fazer concurso para ver quem teria assento nesta espécie de Esplanada dos Ministérios do pixuleco...
Desta vez, a turma é acusada de desviar R$ 100 milhões do bolso de servidores públicos federais, por meio de contratos de empréstimos consignados. Vale lembrar que estas operações financeiras, que explodiram nos anos petistas, estão na raiz dos casos desde a eclosão do mensalão: banco com maior performance na área, o BMG adernou junto com o escândalo, em meio a contratos de empréstimos de mentirinha firmados com o PT.
Com o avanço das investigações, fica cada vez mais claro, se é que ainda havia dúvida, que a causa petista nunca foram os trabalhadores ou a população mais pobre, mas sim encher os bolsos da companheirada. No esquema desbaratado agora pela Operação Custo Brasil, os cofres do partido eram irrigados com nada menos de 70% de taxas cobradas de servidores públicos. É o PT gulosão.
Com o envolvimento também de Paulo Ferreira, todos os tesoureiros do PT desde que o partido ascendeu ao poder ou foram presos, ou foram condenados ou estão sob investigação. Da mesma forma com os tesoureiros das campanhas de Dilma e Lula. É ou não é uma organização inteirinha dedicada ao crime?
As ações deflagradas ontem em quatro estados – incluindo a sede nacional do PT – para apurar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de organização criminosa sepultam as fantasias de quem diz que o novo governo assumiu tendo como missão barrar as investigações. Elas estão mais fortes do que nunca. Até porque não dá para deixar nenhuma cabeça desta cobra impune.
A Polícia Federal prendeu ontem o ministro que cuidou do planejamento e das comunicações nos governos petistas – além de ter uma ficha corrida de serviços prestados ao partido nos estados. Também arrolou o ex-ministro da Previdência e Aviação Civil de Dilma Rousseff. E incluiu, ainda, no rol de detidos o terceiro tesoureiro do PT flagrado na roubalheira e o secretário escalado pelo prefeito Fernando Haddad para cuidar da gestão do município de São Paulo. Precisa mais?
Nove ex-ministros de Dilma estão devendo para a Justiça, entre eles Gabas, amigão com quem a presidente afastada costumava dar rolezinhos por Brasília aboletada na garupa de uma moto Harley-Davidson, devidamente apreendida ontem como mais um fruto da corrupção. Se computarmos os ministros de Lula que estão na mesma situação ou já gramaram algum tempo atrás das grades, seria preciso fazer concurso para ver quem teria assento nesta espécie de Esplanada dos Ministérios do pixuleco...
Desta vez, a turma é acusada de desviar R$ 100 milhões do bolso de servidores públicos federais, por meio de contratos de empréstimos consignados. Vale lembrar que estas operações financeiras, que explodiram nos anos petistas, estão na raiz dos casos desde a eclosão do mensalão: banco com maior performance na área, o BMG adernou junto com o escândalo, em meio a contratos de empréstimos de mentirinha firmados com o PT.
Com o avanço das investigações, fica cada vez mais claro, se é que ainda havia dúvida, que a causa petista nunca foram os trabalhadores ou a população mais pobre, mas sim encher os bolsos da companheirada. No esquema desbaratado agora pela Operação Custo Brasil, os cofres do partido eram irrigados com nada menos de 70% de taxas cobradas de servidores públicos. É o PT gulosão.
Com o envolvimento também de Paulo Ferreira, todos os tesoureiros do PT desde que o partido ascendeu ao poder ou foram presos, ou foram condenados ou estão sob investigação. Da mesma forma com os tesoureiros das campanhas de Dilma e Lula. É ou não é uma organização inteirinha dedicada ao crime?
As ações deflagradas ontem em quatro estados – incluindo a sede nacional do PT – para apurar crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de organização criminosa sepultam as fantasias de quem diz que o novo governo assumiu tendo como missão barrar as investigações. Elas estão mais fortes do que nunca. Até porque não dá para deixar nenhuma cabeça desta cobra impune.
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