sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Algum cenário benigno

As dificuldades da economia brasileira continuam imensas e, em muitos aspectos, como o desemprego, ainda tendem a piorar nos próximos meses. No entanto, já surgem aqui e ali perspectivas otimistas que prometem desanuviar o horizonte. É o caso da inflação e, consequentemente, dos juros.

Em relatório em que, a cada três meses, esmiúça o comportamento dos preços no país, o Banco Central passou a considerar a hipótese de que a inflação esteja começando a convergir para a meta definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) para os próximos dois anos. Felizmente, um dos itens que começam a ficar menos caros são os alimentos.

De acordo com o Copom, já no fim de 2017 a inflação oficial, medida pelo IPCA, poderia cair a 4,4% e, em 2018, poderia descer a 3,8%. Em ambos os casos, a meta anual é de 4,5%. Se confirmado, e ainda há muito chão até lá, será a primeira vez que isso acontecerá no país desde 2010. O desafio é grande: hoje, o índice de inflação acumulado nos últimos 12 meses está em 9%.

Com a inflação tendendo a ficar mais comportada, abre-se espaço para que o BC também comece a cogitar dar cabo de outra anormalidade brasileira: os juros jabuticaba que o país pratica. Começaram a pipocar previsões de que, já na reunião de outubro, a taxa básica, hoje em 14,25% ao ano, começará a cair, com a queda prosseguindo ao longo de 2017.

No passado recente, o BC comungou da crença furada de que um pouquinho mais de inflação não dói e manejou os juros com displicência, voluntarismo e irresponsabilidade. Deu no que deu: o resultado foi a explosão dos preços, que alcançaram as maiores altas em 20 anos, e uma política de juros artificialmente baixos que não se sustentou.

Para que o país caminhe de volta à normalidade agora, tudo dependerá, principalmente, do que acontecer com o outro lado da moeda, ou seja, com a política fiscal. A inflação só baixa e os juros só podem cair se o governo reverter o comportamento leniente e deletério que foi a marca das gestões petistas no trato das contas públicas e passar a frear seus gastos.

Por isso, será decisiva a capacidade do governo Michel Temer de aprovar no Congresso a imposição do teto para o crescimento das despesas públicas a partir de 2017. A medida foi transformada pela oposição petista em crime de lesa-pátria e vem sendo usada como arma eleitoral pelo país afora. Quem destruiu agora tenta de toda forma impedir a reconstrução...

Mas o tetracampeonato de rombos nas contas públicas, com déficits consecutivos entre 2014 a 2017, não deixa margem a dúvidas: é preciso disciplinar o crescimento dos gastos públicos, sem o que o país simplesmente afundará na quebradeira. A aprovação do teto é uma medida importante, que pode até ser melhorada em alguns aspectos no Congresso. Mas é absolutamente necessária para que o cenário fique realmente mais benigno doravante.

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Sem chance de competir

Uma boa forma de aferir como está se comportando a economia brasileira é comparar suas condições às dos demais países. Nestes últimos anos, as constatações foram desanimadoras: a cada novo ranking divulgado, fomos caindo degraus e mais degraus. São radiografias dos estragos que a receita petista causou ao Brasil.

O mais robusto destes rankings é publicado anualmente pelo Fórum Econômico Mundial, sediado em Genebra, e trata da competitividade dos países. A mais recente edição foi divulgada ontem e o retrato que traz do Brasil atual é de chorar.

O levantamento situa o país apenas na 81ª posição em termos de competitividade global numa lista formada por 138 nações. Desde que o ranking passou a ser publicado, há 20 anos, é a pior marca já registrada pelo Brasil. Os autores descrevem a situação do país como “o fundo do poço”.

Em relação à edição do ano anterior, a queda foi de seis posições. Desde nosso melhor resultado, em 2012, o mergulho é bem mais profundo: do 48° para o atual 81° lugar, ou seja, 33 posições perdidas em apenas quatro anos. No continente, sem maiores novidades, apenas Argentina e Venezuela aparecem em pior condição. A Suíça segue em primeiro lugar no ranking geral.

Nosso ambiente macroeconômico, ou seja, a alquimia inventada pelos bruxos petistas, é avaliado como o 126° pior do mundo. Mas um dos aspectos mais notáveis da deterioração causada pelos governos do PT nas condições de produzir e gerar empregos no Brasil está nas posições alcançadas pela infraestrutura do país.

Em termos gerais, a infraestrutura brasileira é apenas a 116ª melhor entre os 138 países analisados. Trata-se de uma queda de 32 posições desde 2010, algo que não encontra paralelo entre as demais economias analisadas pelo Fórum Econômico Mundial. Para completar, somos apenas o 100° no ranking de inovação, com queda de 16 posições em um ano. Ou seja, cada vez mais atrasados e em marcha a ré.

Entre os fatores mais problemáticos para a realização de negócios no país, lideram os impostos e, logo abaixo, a corrupção. No item “desvio de dinheiro público”, o país figura na vexatória 135ª posição. Numa situação assim, nada mais natural do que o ambiente institucional brasileiro ser avaliado como o 120° pior do mundo.

Países que vêm se saindo melhor e galgando posições no ranking são aqueles que vêm implementando reformas no sentido de aumentar a competitividade de suas economias, impulsionar os investimentos e, assim, gerar mais emprego e riqueza para seus cidadãos. É esta a estrada que o Brasil precisa voltar a trilhar, depois de ter sido conduzido pelo PT, durante tanto tempo, ao atoleiro que mais um ranking ora confirma e reafirma.

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Na reta final

Faltam cinco dias para os brasileiros voltarem às urnas para eleger 5.568 prefeitos e 57.958 vereadores. Na primeira eleição depois da devastação promovida pelo PT no país, o PSDB e as forças políticas que sempre se opuseram ao petismo caminham para ter expressivo sucesso nas eleições marcadas para o próximo domingo.

Segundo as mais recentes pesquisas de opinião, os tucanos lideram a disputa em alguns dos mais importantes centros do país. A começar por São Paulo, onde João Dória disparou e, segundo os levantamentos divulgados ontem tanto pelo Ibope quanto pelo Datafolha, passou a liderar a corrida pela prefeitura da maior cidade do país.

Também em Belo Horizonte, o candidato tucano mantém-se na ponta. João Leite vem liderando desde o início da disputa e pode vencer a eleição em primeiro turno já no próximo domingo. O mesmo deve acontecer com Artur Neto, que lidera em Manaus e busca a reeleição.

Em mais duas capitais, há candidatos do PSDB na liderança das pesquisas de opinião: Firmino Filho aparece na frente em Teresina e Rui Palmeira pode conseguir a reeleição em Maceió já na votação de domingo.

Em capitais como Porto Alegre, Campo Grande e Belém, os candidatos tucanos estão em segundo lugar, colados nos líderes. Nelson Marchezan Junior, Rose Modesto e Zenaldo Coutinho, este em busca da reeleição, caminham para disputar o segundo turno no próximo dia 30 de outubro.

A disputa municipal será o primeiro reencontro dos brasileiros com o sagrado processo de escolha eleitoral depois da crise que desaguou no impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff por prática de crime de responsabilidade. Poderá constituir-se na guinada que o país precisa dar na direção de novos rumos políticos.

As campanhas têm mostrado pelo país afora que os brasileiros se cansaram da maneira enganosa e fraudulenta com a qual os petistas se notabilizaram em fazer política. Nunca antes, desde que ascendeu ao poder federal em 2003, o partido de Lula, Dilma e José Dirceu saiu-se tão mal na disputa pelas prefeituras. O PT deve manter apenas o governo de Rio Branco.

Em contrapartida, o PSDB tem apresentado aos eleitores opções renovadoras da política, comprometidas com a ética, a melhor gestão dos recursos públicos e voltadas a dar maior eficiência à aplicação dos tributos pagos pelos cidadãos. O que os brasileiros demonstram querer é um governo que, pelo menos, não lhes atrapalhe.

As eleições são o momento máximo do processo democrático. Devem ser sempre tratadas pelos partidos e por todos os candidatos com o respeito que merecem. Os tucanos que estão buscando servir a população dos mais de 5.500 municípios brasileiras estão mostrando que têm clara consciência de que terão papel fundamental na reconstrução do país.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Mais uma carta do baralho da corrupção

A prisão de Antonio Palocci nesta manhã representa mais um passo da Operação Lava Jato na direção daqueles que comandaram o esquema criminoso que assaltou o país nos últimos anos. Revela, ainda, que o modelo corrupto vinha de longa data, abarcando até personagens cuja atuação no governo era tida como inatacável por alguns.

Palocci é mais um ex-ministro dos governos petistas a cair. Sua prisão se segue à de Guido Mantega, o mais longevo ministro da Fazenda da história republicana brasileira, decretada na semana passada e logo revogada. Da lista também consta Paulo Bernardo, que comandou Planejamento e Comunicações nos governos petistas.

Vera Magalhães antecipou hoje n’O Estado de S. Paulo que, além de Palocci, os próximos na mira da Lava Jato podem ser Luciano Coutinho e Erenice Guerra. É mais uma evidência de que também o BNDES e a Casa Civil petistas – esta um celeiro de falcatruas desde José Dirceu – eram usados para negociar bondades que revertessem em pagamentos de empresários ao PT.

A acusação contra Palocci é de que ele teria, já na condição de todo-poderoso da economia nacional, manejado decisões de governo para favorecer grupos empresariais. Nunca é demais lembrar que a passagem dele pelo poder tornou-o um homem riquíssimo, capaz de multiplicar seu patrimônio por 20 em curto espaço de tempo, como foi revelado em 2011, causando sua saída do governo Dilma.

Pela investigação desfraldada hoje, o grupo Odebrecht teria sido agraciado com benefícios fiscais, contemplado em processos licitatórios para aquisição de navios-sonda pela Petrobras e favorecido por linhas de crédito abertas pelo BNDES para contratos firmados com países africanos. Ou seja, um coquetel que une um monte de suspeitas sempre associadas ao PT mas só agora em processo de comprovação.

Segundo as notícias veiculadas nesta manhã, a Odebrecht teria pago mais de R$ 128 milhões ao PT e seus agentes entre 2008 e 2013. Até a compra de um terreno para abrigar o Instituto Lula teria sido destinatária do dinheiro sujo, intermediado por Palocci.

As revelações do mar de propina que irrigava as contas do PT vão deixando claro também como e por que o partido de Lula, Dilma e José Dirceu manteve por anos a fio a mais eficiente máquina de comunicação, mobilização e atuação política do país. A corrupção financiou diretamente o projeto de poder petista.

A operação desta manhã foi convenientemente batizada de “Omertà”, numa referência à prática dos chefões da máfia de não entregarem seus cúmplices. A desobediência é punida com morte. Parece claro que o círculo de investigações da Polícia Federal junto com o Ministério Público está a um passo de chegar a quem, de fato, mandava nesta organização criminosa.