A eleição dos novos presidentes da Câmara e do Senado põe fim à safra de especulações estéreis que costuma marcar todo começo de ano durante os recessos parlamentares e abre caminho para que o Congresso faça o que a sociedade dele espera: debata e vote temas e propostas que ajudarão o país a sair do buraco.
As vitórias de Rodrigo Maia na Câmara dos Deputados e Eunício Oliveira no Senado Federal indicam que o governo do presidente Michel Temer tem votos e base parlamentar ampla nas duas casas, com força suficiente para aprovar as reformas estruturais – que o PT por mais de uma década negligenciou – necessárias para a superação da crise.
Com 293 votos, o deputado venceu ontem a disputa pela presidência da Câmara, com vasta margem sobre seus cinco adversários – eles somaram 87 votos a menos que Maia. Mais que isso, a votação confirmou a anemia da oposição parlamentar: o candidato apoiado por PT, PDT e PCdoB obteve apenas 65% dos votos das três bancadas – ou seja, nem entre si eles se entendem.
O Congresso deve ser o lócus do debate plural e transparente da sociedade brasileira, onde as diferenças são discutidas, os consensos são construídos e as soluções nascem. Pelo menos, é assim que os brasileiros esperam que a política seja. Este será um ano em que a relevância do Parlamento deverá ser ainda maior para a vida nacional, em função da premente necessidade de superação da recessão e do desemprego.
O item mais urgente, delicado e inadiável da pauta parlamentar de 2017 é a reforma da Previdência. Espera-se que até meados do ano o país já disponha de novas regras que indiquem o equilíbrio de um sistema que, tal como está, não para mais em pé. Aguarda-se que, do debate honesto e da constatação serena de que a mudança é imprescindível para o futuro desta e das novas gerações, surjam as melhores respostas e soluções.
A legislação trabalhista também deverá ser alvo de alterações neste ano, no intuito de dar ao país regras alinhadas à realidade atual e não presas a condições de produção e de vida que ficaram no século passado. Junto disso, o Congresso também pode ajudar nas reformas que destravem negócios e combatam a burocracia, por meio de ajustes microeconômicos.
Outro item que interessa ao Brasil é a retomada das privatizações e a aceleração das concessões. Trata-se de iniciativa com duplo ganho: de um lado, reduz nosso inchado Estado e ajuda a poupar recursos públicos escassos, sorvidos nos ralos da ineficiência e da corrupção; do outro, transforma o que hoje é entrave, como nossa péssima infraestrutura, em alavanca de desenvolvimento.
Enfim, há pela frente um longo ano de trabalho em que os brasileiros esperam que a política protagonize o bom debate, em favor do bem-estar da população e não voltada a interesses que só a si importam. Há muito a ser feito para reconstruir o país. Nas ruas, os cidadãos estão fazendo a sua parte. Confia-se que, em Brasília, governo e congressistas cumpram a deles.
sábado, 4 de fevereiro de 2017
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017
A era da ferrugem
A indústria brasileira teve, em 2016, o terceiro ano consecutivo de queda. Consumou-se o temor tantas vezes alardeado da desindustrialização e hoje o setor, tradicionalmente o mais dinâmico da nossa economia, tornou-se apenas pálida sombra do que foi no passado. Será árdua a jornada do fundo do buraco até a distante superfície.
Com a baixa de 6,6% em 2016, a indústria brasileira produz hoje no mesmo nível de 12 anos atrás e só um tico mais do que fabricava quando o PT chegou ao poder. Este é um tempo perdido, desperdiçado, no qual o país ficou enferrujando enquanto seus competidores lá fora aceleravam. Imagine o quanto vamos ter que comer de poeira para alcançá-los...
Desde a crise global de 2008, foram cinco anos de retração e apenas três de expansão, das quais a única realmente significativa deu-se em 2010. Desde seu pico, anotado em junho de 2013, a produção industrial do país encolheu 19%. As fábricas brasileiras fecharam 2016 com a 34ª queda consecutiva na comparação com igual mês do ano anterior.
Há setores ainda mais amassados, como o de bens de capital, por exemplo. A produção de máquinas e equipamentos diminuiu inacreditáveis 42% em pouco mais de três anos, mais precisamente desde outubro de 2013. Este é o segmento que funciona como termômetro de investimentos futuros. Sem maquinário novo, não há expansão.
Os resultados de dezembro, contudo, sugerem que a deterioração da indústria brasileira pode estar amainando – em meados de 2016, a queda anual beirava 10%. Houve alta de 2,3% em relação ao mês anterior e a expectativa é de que, neste ano, finalmente o setor volte ao azul, ainda que de forma tímida. Será uma longa marcha a partir do profundo fundo do poço em que a produção made in Brazil foi jogada pelo PT.
Nunca é demais recordar que a indústria foi o principal alvo das ruinosas políticas de “campeões nacionais” levadas a cabo pelos petistas na última década, regadas com crédito farto e barato, gigantismo estatal e intervenção nos mercados. Uma das ações mais vistosas, e mais fracassadas, foi o chamado Brasil Maior, a principal obra de Dilma Rousseff (uma espécie de “rainha da sucata”) no setor, junto com seu ministro Fernando Pimentel.
Deu no que deu: o setor industrial esfarelou-se, retornando ao patamar de participação no PIB nacional que tinha nos anos 1950; os recursos públicos torrados como incentivos foram para o ralo e a conta está aí para pagarmos, na forma de recessão e desemprego. Até 2015, as benesses infrutíferas dadas à indústria desde o início do governo Dilma já haviam custado R$ 135 bilhões em renúncias fiscais.
A indústria brasileira enferrujou praticamente sozinha, na contramão do resto do mundo. Até meados do ano passado, o setor fabril mundial crescia de maneira contínua desde a crise de 2008, como destacou Alexandre Schwartsman à época. O nosso afundava, e continuou afundando – até a indústria da Grécia saiu-se melhor que a brasileira no período.
Esta é uma lição para ser aprendida e nunca mais esquecida, tampouco repetida. O que o setor produtivo brasileiro em geral, e a indústria em particular, precisa é de regras claras, espaço desimpedido – mas regulado de maneira equilibrada – para competir, menos burocracia e menos amarras impostas pelo Estado balofo. Vai ser preciso muito óleo para desenferrujar estas máquinas.
Com a baixa de 6,6% em 2016, a indústria brasileira produz hoje no mesmo nível de 12 anos atrás e só um tico mais do que fabricava quando o PT chegou ao poder. Este é um tempo perdido, desperdiçado, no qual o país ficou enferrujando enquanto seus competidores lá fora aceleravam. Imagine o quanto vamos ter que comer de poeira para alcançá-los...
Desde a crise global de 2008, foram cinco anos de retração e apenas três de expansão, das quais a única realmente significativa deu-se em 2010. Desde seu pico, anotado em junho de 2013, a produção industrial do país encolheu 19%. As fábricas brasileiras fecharam 2016 com a 34ª queda consecutiva na comparação com igual mês do ano anterior.
Há setores ainda mais amassados, como o de bens de capital, por exemplo. A produção de máquinas e equipamentos diminuiu inacreditáveis 42% em pouco mais de três anos, mais precisamente desde outubro de 2013. Este é o segmento que funciona como termômetro de investimentos futuros. Sem maquinário novo, não há expansão.
Os resultados de dezembro, contudo, sugerem que a deterioração da indústria brasileira pode estar amainando – em meados de 2016, a queda anual beirava 10%. Houve alta de 2,3% em relação ao mês anterior e a expectativa é de que, neste ano, finalmente o setor volte ao azul, ainda que de forma tímida. Será uma longa marcha a partir do profundo fundo do poço em que a produção made in Brazil foi jogada pelo PT.
Nunca é demais recordar que a indústria foi o principal alvo das ruinosas políticas de “campeões nacionais” levadas a cabo pelos petistas na última década, regadas com crédito farto e barato, gigantismo estatal e intervenção nos mercados. Uma das ações mais vistosas, e mais fracassadas, foi o chamado Brasil Maior, a principal obra de Dilma Rousseff (uma espécie de “rainha da sucata”) no setor, junto com seu ministro Fernando Pimentel.
Deu no que deu: o setor industrial esfarelou-se, retornando ao patamar de participação no PIB nacional que tinha nos anos 1950; os recursos públicos torrados como incentivos foram para o ralo e a conta está aí para pagarmos, na forma de recessão e desemprego. Até 2015, as benesses infrutíferas dadas à indústria desde o início do governo Dilma já haviam custado R$ 135 bilhões em renúncias fiscais.
A indústria brasileira enferrujou praticamente sozinha, na contramão do resto do mundo. Até meados do ano passado, o setor fabril mundial crescia de maneira contínua desde a crise de 2008, como destacou Alexandre Schwartsman à época. O nosso afundava, e continuou afundando – até a indústria da Grécia saiu-se melhor que a brasileira no período.
Esta é uma lição para ser aprendida e nunca mais esquecida, tampouco repetida. O que o setor produtivo brasileiro em geral, e a indústria em particular, precisa é de regras claras, espaço desimpedido – mas regulado de maneira equilibrada – para competir, menos burocracia e menos amarras impostas pelo Estado balofo. Vai ser preciso muito óleo para desenferrujar estas máquinas.
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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Um rombo ainda astronômico
O governo anunciou ontem que as contas públicas tiveram, em 2016, o maior déficit de toda a história. Na situação de destruição em massa que se tornou regra nas finanças do Estado brasileiro, parece até coisa normal. Mas não é. Será necessário um esforço muito grande, apenas iniciado pela atual gestão, para que o dinheiro recolhido aos cofres públicos pelos contribuintes volte a ter tratamento digno.
O déficit anotado em 2016, no montante de R$ 155,8 bilhões, ficou menor que a meta fiscal prevista para todo o setor público consolidado (governos federal, estaduais e municipais, além de estatais, INSS, Tesouro e Banco Central), de R$ 164 bilhões.
Perto do histórico recente, um avanço, mesmo quando se considera a providencial ajudinha de R$ 47 bilhões oriunda da repatriação de dinheiro enviado ilegalmente ao exterior no passado. Nos últimos anos de governo petista, o país acostumara-se a ver as metas fiscais reiteradamente revistas para pior, e jamais cumpridas.
De todo modo, o país produziu um rombo primário equivalente a 2,5% do PIB no ano passado. Quando se computam as despesas com a dívida pública, o déficit nominal sobe a 8,9% do PIB: foram gastos R$ 407 bilhões com juros em 2016, ainda assim 19% menos que um ano antes. A Previdência aparece em seguida como o pior vilão, com déficit recorde de R$ 150 bilhões em 2016.
A dívida bruta continuou aumentando e bateu em 69,5% do PIB, com alta de quatro pontos em 2016 e de quase 18 pontos em três anos. Soma agora R$ 4,4 trilhões. Vai continuar aumentando: segundo as estimativas colhidas pelo Ministério da Fazenda junto ao mercado, deverá chegar a 80% do PIB em 2018.
Esta viagem rumo ao pântano não vem de agora. Pelo contrário. Seu início coincide com o ano da farra do boi, ou seja, o ano em que os petistas disseram que fariam “o diabo” para reeleger Dilma Rousseff. Fizeram isso e muito mais. Desde 2014, já são três anos de rombos fiscais consecutivos, que somam exatos R$ 299,5 bilhões. Trata-se de algo inédito nas finanças públicas nacionais.
Mas, infelizmente, ainda não vai parar por aí. Com o déficit previsto para este ano, o buraco acumulado encostará em R$ 440 bilhões, isso num espaço de quatro anos. Antes do fim da década, porém, a conta de receitas e despesas do governo brasileiro não voltará para o campo azul, admitem até os prognósticos oficiais. Ou seja, a sangria ainda não terá fim.
Parte expressiva do rombo que ainda perdura é fruto do gigantismo a que os governos petistas levaram o Estado nacional nos últimos anos, do que o BNDES é um dos exemplos mais eloquentes. Agora, a instituição – que em 2016 teve seu pior desempenho em 20 anos – sofre severa lipoaspiração a fim de retomar sua capacidade de financiar setores econômicos que realmente necessitem do auxílio do crédito público subsidiado.
2016, ou mais exatamente a metade que sucede ao impeachment de Dilma, foi ano de começar a pôr as coisas em ordem. Cumprir a meta de 2017 – mais um buraco, desta vez de R$ 139 bilhões para o governo central e R$ 143 bilhões para todo o setor público – será difícil, reconhece o próprio governo.
Haverá, pelo menos, um novo e importante instrumento para isso: a regra constitucional que limita o crescimento das despesas públicas federais à variação da inflação do ano anterior, aprovada em dezembro passado. Um auxílio e tanto para conter um rombo que ainda não pode ser considerado nada menos que astronômico.
O déficit anotado em 2016, no montante de R$ 155,8 bilhões, ficou menor que a meta fiscal prevista para todo o setor público consolidado (governos federal, estaduais e municipais, além de estatais, INSS, Tesouro e Banco Central), de R$ 164 bilhões.
Perto do histórico recente, um avanço, mesmo quando se considera a providencial ajudinha de R$ 47 bilhões oriunda da repatriação de dinheiro enviado ilegalmente ao exterior no passado. Nos últimos anos de governo petista, o país acostumara-se a ver as metas fiscais reiteradamente revistas para pior, e jamais cumpridas.
De todo modo, o país produziu um rombo primário equivalente a 2,5% do PIB no ano passado. Quando se computam as despesas com a dívida pública, o déficit nominal sobe a 8,9% do PIB: foram gastos R$ 407 bilhões com juros em 2016, ainda assim 19% menos que um ano antes. A Previdência aparece em seguida como o pior vilão, com déficit recorde de R$ 150 bilhões em 2016.
A dívida bruta continuou aumentando e bateu em 69,5% do PIB, com alta de quatro pontos em 2016 e de quase 18 pontos em três anos. Soma agora R$ 4,4 trilhões. Vai continuar aumentando: segundo as estimativas colhidas pelo Ministério da Fazenda junto ao mercado, deverá chegar a 80% do PIB em 2018.
Esta viagem rumo ao pântano não vem de agora. Pelo contrário. Seu início coincide com o ano da farra do boi, ou seja, o ano em que os petistas disseram que fariam “o diabo” para reeleger Dilma Rousseff. Fizeram isso e muito mais. Desde 2014, já são três anos de rombos fiscais consecutivos, que somam exatos R$ 299,5 bilhões. Trata-se de algo inédito nas finanças públicas nacionais.
Mas, infelizmente, ainda não vai parar por aí. Com o déficit previsto para este ano, o buraco acumulado encostará em R$ 440 bilhões, isso num espaço de quatro anos. Antes do fim da década, porém, a conta de receitas e despesas do governo brasileiro não voltará para o campo azul, admitem até os prognósticos oficiais. Ou seja, a sangria ainda não terá fim.
Parte expressiva do rombo que ainda perdura é fruto do gigantismo a que os governos petistas levaram o Estado nacional nos últimos anos, do que o BNDES é um dos exemplos mais eloquentes. Agora, a instituição – que em 2016 teve seu pior desempenho em 20 anos – sofre severa lipoaspiração a fim de retomar sua capacidade de financiar setores econômicos que realmente necessitem do auxílio do crédito público subsidiado.
2016, ou mais exatamente a metade que sucede ao impeachment de Dilma, foi ano de começar a pôr as coisas em ordem. Cumprir a meta de 2017 – mais um buraco, desta vez de R$ 139 bilhões para o governo central e R$ 143 bilhões para todo o setor público – será difícil, reconhece o próprio governo.
Haverá, pelo menos, um novo e importante instrumento para isso: a regra constitucional que limita o crescimento das despesas públicas federais à variação da inflação do ano anterior, aprovada em dezembro passado. Um auxílio e tanto para conter um rombo que ainda não pode ser considerado nada menos que astronômico.
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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017
Vencer o desemprego
Números divulgados nesta manhã pelo IBGE dão contornos definitivos à maior tragédia produzida pela ruinosa política econômica petista: o desemprego atingiu patamares recordes no último ano da gestão de Dilma Rousseff. Reverter este estrago deve ser o maior objetivo do novo governo, já que voltar a ter um emprego é o maior sonho de quem o PT colocou na rua da amargura.
Em dezembro, a taxa de desemprego bateu em 12%, a mais alta da série medida pelo IBGE, de acordo com a Pnad Contínua. Na média anual, ficou em 11,5%, com alta de três pontos percentuais sobre 2015. Isso significa que 12,3 milhões de brasileiros estão sem emprego. Em um ano, o exército de desempregados engrossou em 3,2 milhões de pessoas, com aumento de 37%.
Vai ter petista apressadinho – e leviano como sempre – querendo imputar a destruição massiva de postos de trabalho a uma suposta “política de arrocho” do governo Michel Temer. Alto lá! Entre a reeleição e o impeachment de Dilma, nada menos que 5 milhões de brasileiros perderam seus empregos; desde então, foram mais 700 mil.
Infelizmente, porém, ainda não batemos no fundo do poço. Analistas são unânimes em prever que a taxa continuará aumentando até meados deste ano para só então começar a declinar – algumas de 21 consultorias ouvidas pelo Valor Econômico estimam que o índice chegará a algo como 13% até o fim deste semestre. A dinâmica própria da atividade econômica explica.
Como a economia começa a dar sinais, ainda que tímidos, de ressurreição, mais pessoas se animarão a buscar trabalho e as taxas de desemprego, num primeiro momento, subirão. No período seguinte, que deve acontecer lá pelo terceiro trimestre do ano, as empresas, finalmente, começarão a contratar e os percentuais poderão, finalmente, começar a cair. Oxalá.
Os dados recentes já mostram algum alívio. A taxa medida pelo IBGE está estável desde o trimestre terminado em agosto, ou seja, há cinco medições. Já de acordo com o Caged, o total de postos de trabalho eliminados em 2016 (1,32 milhão) foi 15% menor que um ano antes (1,55 milhão). É melhora pouca, mas já é alguma coisa.
2017 será um ano de fortes mudanças no país, agora que a área está limpa do desastre petista. O desafio é levar adiante as reformas que o país precisa para voltar a crescer e, como consequência, obter o mais almejado objetivo: gerar empregos para devolver a milhões de lares a tranquilidade perdida com a recessão.
Que não restem dúvidas: quem produziu a crise e o desemprego tamanho GG que a acompanha foram as escolhas equivocadas dos governos petistas. À gestão atual cabe o papel de retificar o caminho, repondo o Brasil na trilha do desenvolvimento, do bem-estar e da geração de riqueza. Vencer o desemprego é a meta maior.
Em dezembro, a taxa de desemprego bateu em 12%, a mais alta da série medida pelo IBGE, de acordo com a Pnad Contínua. Na média anual, ficou em 11,5%, com alta de três pontos percentuais sobre 2015. Isso significa que 12,3 milhões de brasileiros estão sem emprego. Em um ano, o exército de desempregados engrossou em 3,2 milhões de pessoas, com aumento de 37%.
Vai ter petista apressadinho – e leviano como sempre – querendo imputar a destruição massiva de postos de trabalho a uma suposta “política de arrocho” do governo Michel Temer. Alto lá! Entre a reeleição e o impeachment de Dilma, nada menos que 5 milhões de brasileiros perderam seus empregos; desde então, foram mais 700 mil.
Infelizmente, porém, ainda não batemos no fundo do poço. Analistas são unânimes em prever que a taxa continuará aumentando até meados deste ano para só então começar a declinar – algumas de 21 consultorias ouvidas pelo Valor Econômico estimam que o índice chegará a algo como 13% até o fim deste semestre. A dinâmica própria da atividade econômica explica.
Como a economia começa a dar sinais, ainda que tímidos, de ressurreição, mais pessoas se animarão a buscar trabalho e as taxas de desemprego, num primeiro momento, subirão. No período seguinte, que deve acontecer lá pelo terceiro trimestre do ano, as empresas, finalmente, começarão a contratar e os percentuais poderão, finalmente, começar a cair. Oxalá.
Os dados recentes já mostram algum alívio. A taxa medida pelo IBGE está estável desde o trimestre terminado em agosto, ou seja, há cinco medições. Já de acordo com o Caged, o total de postos de trabalho eliminados em 2016 (1,32 milhão) foi 15% menor que um ano antes (1,55 milhão). É melhora pouca, mas já é alguma coisa.
2017 será um ano de fortes mudanças no país, agora que a área está limpa do desastre petista. O desafio é levar adiante as reformas que o país precisa para voltar a crescer e, como consequência, obter o mais almejado objetivo: gerar empregos para devolver a milhões de lares a tranquilidade perdida com a recessão.
Que não restem dúvidas: quem produziu a crise e o desemprego tamanho GG que a acompanha foram as escolhas equivocadas dos governos petistas. À gestão atual cabe o papel de retificar o caminho, repondo o Brasil na trilha do desenvolvimento, do bem-estar e da geração de riqueza. Vencer o desemprego é a meta maior.
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