Aconteceu de novo e provavelmente não será a última vez: Lula voltou a fazer propaganda ilegal para a candidata do PT. O presidente da República sabia exatamente o que estava fazendo; sabia claramente que estava afrontando a lei. No entanto, deu de ombros. Belo exemplo.
Lula persegue o heptacampeonato da desfaçatez. Já foi multado seis vezes pela Justiça Eleitoral, que lhe aplicou multas de R$ 42,5 mil. Para não deixá-lo sozinho na ilegalidade, Dilma Rousseff recebeu ontem sua quarta penalização eleitoral e já deve R$ 21 mil ao erário.
Mas o presidente da República e a candidata do PT parecem insatisfeitos com seu nível atual de afronta. Demonstram preferir dobrar as apostas. Afinal, como comenta Fernando Rodrigues na edição de hoje da Folha de S. Paulo, deve valer a pena incorrer em multas de algumas dezenas de milhares de reais no bojo de uma campanha disposta a torrar R$ 157 milhões para perpetuar-se no poder.
Lula cometeu mais um abuso de poder político ao dizer, durante um evento de governo, que Dilma é responsável por “fazer este TAV (trem de alta velocidade)”. Isto porque, no governo petista, teria sido praticado o mais esmerado planejamento de ações – coisa, aliás, que o “falta tudo” dito pela Fifa sobre o andamento das obras da Copa de 2014 só atesta...
A Lei Eleitoral proíbe agentes públicos de ceder ou usar em benefício de candidato bens móveis ou imóveis pertencentes à administração. Ou seja, estamos diante de mais uma ilegalidade evidente, e premeditada, praticada pelo primeiro mandatário.
Isso posto, vale analisar o mérito da declaração de Lula: afinal, o que é mesmo que foi feito por Dilma “neste TAV”, presidente?
Ontem, depois de mais de um ano de atraso, foi lançado o edital para a implantação do trem-bala ligando Campinas ao Rio de Janeiro. Neste período, seu custo estimado saiu de US$ 11 bilhões – o que daria cerca de R$ 20 bilhões em dinheiro de hoje – para R$ 33 bilhões, já com o ajuste (para baixo) nos custos imposto pelo TCU. Grande planejamento.
A obra vai se tornando pule de dez para empresas privadas interessadas em faturar bilhões sem incorrer em riscos. Uma estatal (uma das 11 já criadas pelo governo Lula) integrará os negócios; nela serão postos R$ 3,4 bilhões. O BNDES oferecerá financiamento de até 60% do empreendimento, o que dá R$ 19,9 bilhões. Negócio pra China.
Continuemos a analisar a eficiência do “planejamento” dos gestores petistas. Inicialmente, o prazo de execução da obra era estimado em cinco anos e agora já se fala, otimistamente, em seis. Dizia-se que o trem-bala estaria circulando quando a bola rolasse na Copa do Mundo de 2014, e agora fala-se que, provavelmente, algum trecho pode estar pronto para a Olimpíada do Rio, em 2016. Que diabo de gerente fez este “planejamento”, presidente? Não é o caso de demiti-la?
Ter um trem-bala ligado a zona conurbada e mais rica do Brasil é bacana. Muita gente vai se sentir importante vendo aquele bólido passar zunindo, mesmo que jamais ponha o pé nele um dia. Será mesmo que isso é o que mais interessa ao país nesta altura?
Com a dinheirama do TAV dá para assentar 500 km de metrô, contemplando as necessidades de praticamente todos os nossos centros urbanos, melhorando a vida de milhões de pessoas que dependem cotidianamente de um transporte público mais eficiente. Dá para fazer também ferrovias capazes de revolucionar o nosso interior, disseminando o desenvolvimento pelo país, sem agredir o meio ambiente.
Esta é uma opção que cabe ao povo brasileiro fazer: prefere o ar-condicionado do trem-bala ou o suor e o emprego das ferrovias transportando a soja do Maranhão, os minérios do norte de Minas, os automóveis do Paraná?
É espantoso que o cronograma divulgado ontem preveja que o leilão se realize em 29 de novembro e o contrato seja assinado em fevereiro, já pelo novo presidente, que ninguém sabe ainda quem será. Ou seja, no lusco-fusco entre um governo e outro leva-se à disputa uma obra bilionária como esta, à qual se juntam outras como a igualmente bilionária Belo Monte.
Não parece difícil nem insensato concluir que as afrontas à lei eleitoral são apenas a ponta do iceberg das ilegalidades que o governo do PT está a cometer. Tem coisa muito pior a caminho, na velocidade do trem-bala.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
segunda-feira, 12 de julho de 2010
Qualquer um pode ser a próxima vítima
São persistentes e crescentes as dúvidas em relação ao que propõe a candidata do PT para o país. Seus muitos vai-e-vem deixam no ar a desagradável sensação de que Dilma Rousseff pode representar um salto no escuro digno de filme de terror. Mas uma das faces da turma que ela comanda é límpida, livre de maquiagem: a do uso desmesurado do aparato estatal para intimidar adversários.
Novos episódios desta saga que se desenrola ao longo de todo o governo Lula reforçam a constatação de que a estrutura do Estado está sendo utilizada para constranger quem quer que esteja fora do campo de alianças do PT.
O caso da bisbilhotagem das informações fiscais do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, é apenas o mais deplorável deles. Mas soma-se a uma série produzida pela turma do Departamento de Intimidação da campanha petista.
Em junho, a Folha de S. Paulo revelou que dados sigilosos sobre Eduardo Jorge saíram da Receita Federal e foram parar nas mãos de um tal “grupo de inteligência”, espécie de Gestapo petista a ser fartamente utilizada na campanha.
A candidata negou, de forma veemente, envolvimento e falou até em processar o jornal. Numa tática que talvez tenha aprendido no convívio fraterno com chefes de Estado totalitários, de atribuir à vítima a culpa pelo crime perpetrado contra ela, o presidente Lula chegou a insinuar que tudo não passava de “armação oposicionista”, a velha ladainha de sempre.
Depois de investigar por quase um mês, a Receita Federal admitiu que os dados foram obtidos por meio de senhas oficiais, como mostrou O Globo. Em outras palavras, petistas infiltrados na máquina do governo fizeram o serviço sujo. Nomes? Diz a Receita que, por ora, não os tem. Dá para acreditar? Ocorre um crime e os chefes da repartição onde ele foi perpetrado acobertam seus executores. Que diabo de governo é este?
A preocupação com situações como essas não deve se circunscrever a integrantes destacados de partidos de oposição. O que está em jogo é a defesa de toda a sociedade brasileira. Está mais que claro que sigilo fiscal é um mito para os petistas que comandam a máquina do Estado.
É possível que o PT considere a inviolabilidade da privacidade dos cidadãos um “valor burguês” ou, quem sabe, um exagero do Estado democrático de Direito. Sempre pode haver um papel em que tais teses sejam defendidas pela companheirada e um outro em que vale o oposto. Mas, como se vai saber o que prevalece, se nunca vale o escrito e o dito logo depois é desdito por sua candidata a presidente da República?
Se Dilma não diz ao que vem, nem deplora o que de sua campanha emana, vale aqui dar nome aos bois: o que tem feito o PT é o mais puro totalitarismo. A invasão da esfera privada; a ameaça a adversários, tratados como inimigos; a intimidação dos mais modestos cidadãos que se interponham no caminho do projeto político petista.
Em um parágrafo, o leitor tem uma lista de crimes que dariam páginas e páginas de processos penais: em 2006, o caso dos aloprados contra tucanos; em 2007, a devassa na vida do caseiro Francenildo do Santos, que revelou algumas verdades do então todo poderoso ministro Antonio Palocci; em 2008, a produção de um dossiê, dentro da Casa Civil, envolvendo a vida do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Quem será a próxima vítima? Para quem está disposto a pagar para ver, aí vai uma dica: João Pedro Stédile, comandante do MST, já avisou, com todos os efes e erres, para quem quiser ouvir que a vitória de Dilma abrirá caminho para que seus sem-terra de araque promovam ocupações em massa. Nenhuma surpresa. Onde a lei é diuturnamente enxovalhada pelos governantes máximos é só isso o se pode colher.
Novos episódios desta saga que se desenrola ao longo de todo o governo Lula reforçam a constatação de que a estrutura do Estado está sendo utilizada para constranger quem quer que esteja fora do campo de alianças do PT.
O caso da bisbilhotagem das informações fiscais do vice-presidente executivo do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, é apenas o mais deplorável deles. Mas soma-se a uma série produzida pela turma do Departamento de Intimidação da campanha petista.
Em junho, a Folha de S. Paulo revelou que dados sigilosos sobre Eduardo Jorge saíram da Receita Federal e foram parar nas mãos de um tal “grupo de inteligência”, espécie de Gestapo petista a ser fartamente utilizada na campanha.
A candidata negou, de forma veemente, envolvimento e falou até em processar o jornal. Numa tática que talvez tenha aprendido no convívio fraterno com chefes de Estado totalitários, de atribuir à vítima a culpa pelo crime perpetrado contra ela, o presidente Lula chegou a insinuar que tudo não passava de “armação oposicionista”, a velha ladainha de sempre.
Depois de investigar por quase um mês, a Receita Federal admitiu que os dados foram obtidos por meio de senhas oficiais, como mostrou O Globo. Em outras palavras, petistas infiltrados na máquina do governo fizeram o serviço sujo. Nomes? Diz a Receita que, por ora, não os tem. Dá para acreditar? Ocorre um crime e os chefes da repartição onde ele foi perpetrado acobertam seus executores. Que diabo de governo é este?
A preocupação com situações como essas não deve se circunscrever a integrantes destacados de partidos de oposição. O que está em jogo é a defesa de toda a sociedade brasileira. Está mais que claro que sigilo fiscal é um mito para os petistas que comandam a máquina do Estado.
É possível que o PT considere a inviolabilidade da privacidade dos cidadãos um “valor burguês” ou, quem sabe, um exagero do Estado democrático de Direito. Sempre pode haver um papel em que tais teses sejam defendidas pela companheirada e um outro em que vale o oposto. Mas, como se vai saber o que prevalece, se nunca vale o escrito e o dito logo depois é desdito por sua candidata a presidente da República?
Se Dilma não diz ao que vem, nem deplora o que de sua campanha emana, vale aqui dar nome aos bois: o que tem feito o PT é o mais puro totalitarismo. A invasão da esfera privada; a ameaça a adversários, tratados como inimigos; a intimidação dos mais modestos cidadãos que se interponham no caminho do projeto político petista.
Em um parágrafo, o leitor tem uma lista de crimes que dariam páginas e páginas de processos penais: em 2006, o caso dos aloprados contra tucanos; em 2007, a devassa na vida do caseiro Francenildo do Santos, que revelou algumas verdades do então todo poderoso ministro Antonio Palocci; em 2008, a produção de um dossiê, dentro da Casa Civil, envolvendo a vida do ex-presidente Fernando Henrique e da ex-primeira-dama Ruth Cardoso.
Quem será a próxima vítima? Para quem está disposto a pagar para ver, aí vai uma dica: João Pedro Stédile, comandante do MST, já avisou, com todos os efes e erres, para quem quiser ouvir que a vitória de Dilma abrirá caminho para que seus sem-terra de araque promovam ocupações em massa. Nenhuma surpresa. Onde a lei é diuturnamente enxovalhada pelos governantes máximos é só isso o se pode colher.
quarta-feira, 7 de julho de 2010
A onipresente dubiedade da candidata
Não foi a primeira, nem será a última vez. Dilma Rousseff disse e depois se desdisse sobre o que pretende oferecer ao Brasil. Entregou ao TSE uma plataforma de governo para, horas depois, recolhê-la e renegá-la. Neste jogo de esconde-esconde, é possível que cheguemos a outubro sem saber a que vem a candidata do PT. Vale o risco?
O PT e a escolhida de Lula protagonizaram na segunda-feira o que poderia ser visto como apenas mais uma trapalhada. Mas é muito mais do que isso. Trata-se de algo que escancara, como se ainda fosse preciso, a dubiedade que cerca a candidatura de Dilma.
Afinal, valem as ideias que estavam nas 19 páginas que ela e o presidente do PT rubricaram – e supostamente teriam lido e com elas concordado – ou as que tiveram de ser postas às pressas num papel que a candidata a presidente da República nem viu nem assinou antes de entregar ao TSE?
O programa de governo originalmente protocolado por Dilma continha algumas das velhas teses petistas, as mesmas aprovadas no Congresso do partido em fevereiro passado. A saber: leniência com a invasão de propriedades; cobrança de mais impostos sobre renda; combate à liberdade de imprensa; defesa indiscriminada do aborto. Tudo posto lá, bonitinho, item por item.
Diz-se agora que foi deslize, que os arquivos foram trocados inadvertidamente. Será? Vejamos o que disse o secretário de Comunicação do PT logo após ter entregado o documento controverso ao TSE, e ao se ver diante dos, àquela altura ainda tímidos, questionamentos da imprensa: “Não há problema em ter pontos polêmicos nele. Nós somos polêmicos e isso não é problema, é qualidade. Agora, é um texto provisório, que vai ser sempre discutido”, segundo relatou a Folha de S.Paulo na edição de ontem.
À medida que a incredulidade foi crescendo e os questionamentos se agigantando, o PT recuou e retirou o papelucho de circulação. Mas deixou no ar, mais uma vez, a dúvida: será que um eventual governo de Dilma também seria sempre assim, “polêmico”, “provisório”, a “ser sempre discutido”? É esta corda bamba que nos oferece a aprendiz de candidata petista?
Morder e assoprar está no DNA do PT – melhor seria dizer tergiversar, iludir. Nunca é demais lembrar que o partido entrou na campanha de 2002, que levaria Lula à vitória após sua quarta tentativa, a bordo da tese programática intitulada “A ruptura necessária”, aprovada pelos companheiros no ano anterior em Olinda. Era aquilo o que se propunha para o país: acabar com tudo o que estava aí.
Como aquela linha de tocar o terror tendia a levar Lula a lugar nenhum, o PT viu-se obrigado a rasgar suas teses e assumir um novo compromisso com o país, expresso na “Carta ao Povo Brasileiro”, que, com meras 1.729 palavras, renega tudo o que o partido propugnara ao longo de 22 anos de existência de raivosa oposição.
Mas recorrentes episódios indicam que o partido convive mal com o marco institucional vigente no país. À imprensa, vira-e-mexe, o PT reserva propostas como o malfadado, mas nunca sepultado, conselho de comunicação, voltado a baixar o tacão do Estado sobre a liberdade de expressão e a independência editorial. À segurança jurídica, assaca calhamaços como o Plano Nacional de Direitos Humanos, uma proto-Constituição que passava a foice em direitos, como o de propriedade, e atropelava a Justiça.
O comichão da ruptura – “necessária” para eles, indesejada por todos os demais – subjaz no petismo. Mas, sempre que ele é flagrado pondo as manguinhas de fora, os camaleões saem-se com estas: “Não sabíamos”, como no mensalão; “não era bem isso que queríamos dizer”, como no conselho de comunicação; ou “não vi o que assinei”, como no PNDH3 ou agora no programa de governo da candidata a presidente da República.
É por isso que o debate aberto e sistemático dos candidatos a presidente e suas propostas é fundamental para o futuro do país – com o que, aliás, mais uma vez o candidato José Serra comprometeu-se ontem. Mas Dilma resiste, refuta, rejeita: debater o quê?, deve pensar a “bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica”, na descrição de Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado no domingo. Quando saberemos, afinal, se a candidata de Lula é Dilma ou Amlid, seu inverso?
O PT e a escolhida de Lula protagonizaram na segunda-feira o que poderia ser visto como apenas mais uma trapalhada. Mas é muito mais do que isso. Trata-se de algo que escancara, como se ainda fosse preciso, a dubiedade que cerca a candidatura de Dilma.
Afinal, valem as ideias que estavam nas 19 páginas que ela e o presidente do PT rubricaram – e supostamente teriam lido e com elas concordado – ou as que tiveram de ser postas às pressas num papel que a candidata a presidente da República nem viu nem assinou antes de entregar ao TSE?
O programa de governo originalmente protocolado por Dilma continha algumas das velhas teses petistas, as mesmas aprovadas no Congresso do partido em fevereiro passado. A saber: leniência com a invasão de propriedades; cobrança de mais impostos sobre renda; combate à liberdade de imprensa; defesa indiscriminada do aborto. Tudo posto lá, bonitinho, item por item.
Diz-se agora que foi deslize, que os arquivos foram trocados inadvertidamente. Será? Vejamos o que disse o secretário de Comunicação do PT logo após ter entregado o documento controverso ao TSE, e ao se ver diante dos, àquela altura ainda tímidos, questionamentos da imprensa: “Não há problema em ter pontos polêmicos nele. Nós somos polêmicos e isso não é problema, é qualidade. Agora, é um texto provisório, que vai ser sempre discutido”, segundo relatou a Folha de S.Paulo na edição de ontem.
À medida que a incredulidade foi crescendo e os questionamentos se agigantando, o PT recuou e retirou o papelucho de circulação. Mas deixou no ar, mais uma vez, a dúvida: será que um eventual governo de Dilma também seria sempre assim, “polêmico”, “provisório”, a “ser sempre discutido”? É esta corda bamba que nos oferece a aprendiz de candidata petista?
Morder e assoprar está no DNA do PT – melhor seria dizer tergiversar, iludir. Nunca é demais lembrar que o partido entrou na campanha de 2002, que levaria Lula à vitória após sua quarta tentativa, a bordo da tese programática intitulada “A ruptura necessária”, aprovada pelos companheiros no ano anterior em Olinda. Era aquilo o que se propunha para o país: acabar com tudo o que estava aí.
Como aquela linha de tocar o terror tendia a levar Lula a lugar nenhum, o PT viu-se obrigado a rasgar suas teses e assumir um novo compromisso com o país, expresso na “Carta ao Povo Brasileiro”, que, com meras 1.729 palavras, renega tudo o que o partido propugnara ao longo de 22 anos de existência de raivosa oposição.
Mas recorrentes episódios indicam que o partido convive mal com o marco institucional vigente no país. À imprensa, vira-e-mexe, o PT reserva propostas como o malfadado, mas nunca sepultado, conselho de comunicação, voltado a baixar o tacão do Estado sobre a liberdade de expressão e a independência editorial. À segurança jurídica, assaca calhamaços como o Plano Nacional de Direitos Humanos, uma proto-Constituição que passava a foice em direitos, como o de propriedade, e atropelava a Justiça.
O comichão da ruptura – “necessária” para eles, indesejada por todos os demais – subjaz no petismo. Mas, sempre que ele é flagrado pondo as manguinhas de fora, os camaleões saem-se com estas: “Não sabíamos”, como no mensalão; “não era bem isso que queríamos dizer”, como no conselho de comunicação; ou “não vi o que assinei”, como no PNDH3 ou agora no programa de governo da candidata a presidente da República.
É por isso que o debate aberto e sistemático dos candidatos a presidente e suas propostas é fundamental para o futuro do país – com o que, aliás, mais uma vez o candidato José Serra comprometeu-se ontem. Mas Dilma resiste, refuta, rejeita: debater o quê?, deve pensar a “bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica”, na descrição de Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado no domingo. Quando saberemos, afinal, se a candidata de Lula é Dilma ou Amlid, seu inverso?
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Sempre em más companhias
O presidente Lula cumpre agenda hoje na Guiné Equatorial. Onde? Na Guiné Equatorial, localizada na África subsaariana. Nem queira saber o que se passa por lá: é um horror! O país é governado pelo senhor Teodoro Obiang Nguema Mbasogo. Quem? Um ditador que está no poder há 31 anos, ou seja, desde 1979. É mais um parceiro da galeria de párias entronizados pela diplomacia companheira do PT.
Para a ONG global Human Rights Watch, Mbasogo é um dos mais corruptos líderes do mundo, notável por violações aos direitos humanos. Por lá, o ditador é descrito como “deus”, a quem é permitido “matar sem ter de prestar contas a ninguém e sem ter de ir para o inferno”.
Mbasogo sucedeu o tio dele, Francisco, no comando da Guiné. Gente de estirpe. Titio governou por 11 anos, ao longo dos quais trucidou a minoria bubi, que representava 15% da população. A Guiné Equatorial foi então batizada de “Auschwitz da África”. Desde então, o sobrinho perpetua-se reprimindo a oposição e fraudando eleições: a última ele venceu com 94% dos votos.
Liberdade de expressão e democracia continuam sendo artigo raro por lá, mas Lula e seus diplomatas pragmáticos não estão nem aí para este detalhezinho. Em comunicado oficial emitido após o encontro de hoje, Lula e Mbasogo saudaram “princípios democráticos” e “respeito aos direitos humanos”. Onde será? Na lua?
Em sua passagem pela Guiné Equatorial, o presidente brasileiro entrou na onda do ditador: boquinha fechada e imprensa tratada no tacão. Na “entrevista coletiva” ocorrida nesta manhã, o cerimonial do governo local não permitiu perguntas dos jornalistas.
“Todas as cadeiras da sala onde o evento ocorreu, num espaçoso palácio de mármore e lustres de cristal, foram ocupadas por diplomatas, assessores e seguranças. Depois da coletiva de imprensa, sem perguntas nem respostas, Mbasogo ofereceu um requintado banquete para a comitiva de Lula. Os jornalistas brasileiros não aceitaram o almoço”, relata o enviado de O Estado de S.Paulo.
Enquanto Lula só posa para fotos e refestela-se ao lado do ditador, o chanceler Celso Amorim faz as vezes de porta-voz em defesa da relação amigável com a ditadura da Guiné. “Business are business”, disse ele, em justificativa à missão brasileira. Direitos humanos? Tô nem aí!
A Guiné Equatorial é mesmo um gigante nos negócios: a corrente de comércio com o Brasil somou US$ 411,2 milhões em 2008. Compare, leitor: a corrente de comércio brasileira naquele ano foi de US$ 281 bilhões. Ou seja, a Guiné de Mbasogo representou sensacional 0,0014% do total. As exportações para a África com um todo representam 5,14% do nosso comércio.
As razões para o interesse pela Guiné decorreriam de reservas de petróleo descobertas nos anos 90. Só o ditador tem se deleitado com as riquezas que jorram do subsolo. Hoje Mbasogo já tem uma fortuna pessoal de uns US$ 600 milhões. Para o povo de lá, nada: 60% da população de 600 milhões de pessoas do país é considerada pobre.
Por que será que Lula está sempre ao lado de tiranos deste quilate? Sua forte amizade e de seus aspones petistas com ditadores e autores de crimes contra a humanidade é recorrente e reincidente. De acordo com a prestigiosa publicação Foreign Policy, dos 23 ditadores mais perigosos do mundo, o governo brasileiro sob o PT mantém carinho especial por sete. Lembremos alguns.
Em maio deste ano, o presidente brasileiro protagonizou um vexame internacional ao tentar ajudar o iraniano Mahmoud Amamadinejad, líder de um estado totalitário suspeito (põe suspeito nisso...) de querer construir a bomba atômica. No Irã, não há liberdade de expressão e a classe média é constantemente acuada por uma sombria instituição denominada “guarda revolucionária” que mata sem dó.
Poucos meses antes, em fevereiro, Lula e amigos deram as caras em Cuba, reiterando apreço pela ditadura dos Castro.O presidente brasileiro não apenas condenou um dissidente que morreu em decorrência de uma greve de fome, como comparou os presos políticos da ilha a traficantes do PCC encarcerados nos presídios paulistas.
A notória condescendência que Lula possui com o aprendiz de ditador Hugo Chávez é até motivo de piada. Ações como fechamento de TV, prolongamentos indefinidos de mandato na Venezuela são aceitos pelos companheiros de cá como “parte da democracia”.
Um pouco mais difícil é entender por que o governo brasileiro não apoiou sanções contra um presidente condenado pela Corte Penal Internacional por crimes de guerra e genocídio: o sudanês Omar Al-Bashir. No poder há 21 anos após um golpe de estado, Bashir é responsável por um conflito que já deixou mais de 300 mil mortos em Darfur , de acordo com a ONU.
Outro velho companheiro do presidente é o ditador líbio Muamar Kadafi, responsável, entre outras barbaridades, pelo ataque terrorista a um avião americano que deixou 270 mortos nos anos 80. Kadafi recebeu a amigável visita de Lula em julho do ano passado.
Pouco antes, “nosso guia” havia recebido o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos. Parece até rotina macabra, mas Lula também já participou de um desfile em carro aberto com o facínora do Gabão, Omar Bongo, em 2004, e confraternizou-se com o ditador camaronês, Paul Byla, um ano depois.
A lista de más companhias é longa e só tende a crescer caso o PT mantenha-se no poder. Dona Dilma deve ser louquinha para ir à Coréia do Norte e colocar Kim Jong-il na galeria de amigos do PT. Xô!
Para a ONG global Human Rights Watch, Mbasogo é um dos mais corruptos líderes do mundo, notável por violações aos direitos humanos. Por lá, o ditador é descrito como “deus”, a quem é permitido “matar sem ter de prestar contas a ninguém e sem ter de ir para o inferno”.
Mbasogo sucedeu o tio dele, Francisco, no comando da Guiné. Gente de estirpe. Titio governou por 11 anos, ao longo dos quais trucidou a minoria bubi, que representava 15% da população. A Guiné Equatorial foi então batizada de “Auschwitz da África”. Desde então, o sobrinho perpetua-se reprimindo a oposição e fraudando eleições: a última ele venceu com 94% dos votos.
Liberdade de expressão e democracia continuam sendo artigo raro por lá, mas Lula e seus diplomatas pragmáticos não estão nem aí para este detalhezinho. Em comunicado oficial emitido após o encontro de hoje, Lula e Mbasogo saudaram “princípios democráticos” e “respeito aos direitos humanos”. Onde será? Na lua?
Em sua passagem pela Guiné Equatorial, o presidente brasileiro entrou na onda do ditador: boquinha fechada e imprensa tratada no tacão. Na “entrevista coletiva” ocorrida nesta manhã, o cerimonial do governo local não permitiu perguntas dos jornalistas.
“Todas as cadeiras da sala onde o evento ocorreu, num espaçoso palácio de mármore e lustres de cristal, foram ocupadas por diplomatas, assessores e seguranças. Depois da coletiva de imprensa, sem perguntas nem respostas, Mbasogo ofereceu um requintado banquete para a comitiva de Lula. Os jornalistas brasileiros não aceitaram o almoço”, relata o enviado de O Estado de S.Paulo.
Enquanto Lula só posa para fotos e refestela-se ao lado do ditador, o chanceler Celso Amorim faz as vezes de porta-voz em defesa da relação amigável com a ditadura da Guiné. “Business are business”, disse ele, em justificativa à missão brasileira. Direitos humanos? Tô nem aí!
A Guiné Equatorial é mesmo um gigante nos negócios: a corrente de comércio com o Brasil somou US$ 411,2 milhões em 2008. Compare, leitor: a corrente de comércio brasileira naquele ano foi de US$ 281 bilhões. Ou seja, a Guiné de Mbasogo representou sensacional 0,0014% do total. As exportações para a África com um todo representam 5,14% do nosso comércio.
As razões para o interesse pela Guiné decorreriam de reservas de petróleo descobertas nos anos 90. Só o ditador tem se deleitado com as riquezas que jorram do subsolo. Hoje Mbasogo já tem uma fortuna pessoal de uns US$ 600 milhões. Para o povo de lá, nada: 60% da população de 600 milhões de pessoas do país é considerada pobre.
Por que será que Lula está sempre ao lado de tiranos deste quilate? Sua forte amizade e de seus aspones petistas com ditadores e autores de crimes contra a humanidade é recorrente e reincidente. De acordo com a prestigiosa publicação Foreign Policy, dos 23 ditadores mais perigosos do mundo, o governo brasileiro sob o PT mantém carinho especial por sete. Lembremos alguns.
Em maio deste ano, o presidente brasileiro protagonizou um vexame internacional ao tentar ajudar o iraniano Mahmoud Amamadinejad, líder de um estado totalitário suspeito (põe suspeito nisso...) de querer construir a bomba atômica. No Irã, não há liberdade de expressão e a classe média é constantemente acuada por uma sombria instituição denominada “guarda revolucionária” que mata sem dó.
Poucos meses antes, em fevereiro, Lula e amigos deram as caras em Cuba, reiterando apreço pela ditadura dos Castro.O presidente brasileiro não apenas condenou um dissidente que morreu em decorrência de uma greve de fome, como comparou os presos políticos da ilha a traficantes do PCC encarcerados nos presídios paulistas.
A notória condescendência que Lula possui com o aprendiz de ditador Hugo Chávez é até motivo de piada. Ações como fechamento de TV, prolongamentos indefinidos de mandato na Venezuela são aceitos pelos companheiros de cá como “parte da democracia”.
Um pouco mais difícil é entender por que o governo brasileiro não apoiou sanções contra um presidente condenado pela Corte Penal Internacional por crimes de guerra e genocídio: o sudanês Omar Al-Bashir. No poder há 21 anos após um golpe de estado, Bashir é responsável por um conflito que já deixou mais de 300 mil mortos em Darfur , de acordo com a ONU.
Outro velho companheiro do presidente é o ditador líbio Muamar Kadafi, responsável, entre outras barbaridades, pelo ataque terrorista a um avião americano que deixou 270 mortos nos anos 80. Kadafi recebeu a amigável visita de Lula em julho do ano passado.
Pouco antes, “nosso guia” havia recebido o presidente do Uzbequistão, Islam Karimov, acusado de práticas antidemocráticas e desrespeito aos direitos humanos. Parece até rotina macabra, mas Lula também já participou de um desfile em carro aberto com o facínora do Gabão, Omar Bongo, em 2004, e confraternizou-se com o ditador camaronês, Paul Byla, um ano depois.
A lista de más companhias é longa e só tende a crescer caso o PT mantenha-se no poder. Dona Dilma deve ser louquinha para ir à Coréia do Norte e colocar Kim Jong-il na galeria de amigos do PT. Xô!
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