A revelação consta de reportagem publicada hoje em manchete por O Estado de S. Paulo. A hoje presidente da República votou a favor da
aquisição de uma refinaria de petróleo em Pasadena (EUA), numa decisão que se
mostrou um dos maiores micos da história da estatal. A ruína da transação pode
ser assim sintetizada: a Petrobras pagou US$ 1,18 bilhão por algo que fora
comprado por US$ 42,5 milhões apenas um ano antes da entrada da empresa brasileira no
negócio.
Vale transformar esta montanha de dinheiro em valores atualizados para que
possamos avaliar melhor as apregoadas qualidades de Dilma como gerentona, dote então
exercido por ela na presidência do conselho da estatal. Vamos lá. Em 2006, a Petrobras
desembolsou o equivalente a R$ 850 milhões para comprar metade de uma indústria
que fora adquirida por menos de R$ 100 milhões apenas um ano antes por empresas
belgas.
Desde o início, a refinaria americana já era considerada uma planta obsoleta.
Ainda assim, a transação foi adiante e, com seu desenrolar, a estatal acabou entrando
em litígio com os sócios belgas. Mas cláusulas do draconiano contrato aprovado
pelo conselho de administração, tendo Dilma na sua presidência, impuseram à Petrobras
a compra de todo o negócio.
Em 2012, como desfecho do imbróglio, a nossa estatal pagou mais uma
bolada equivalente a R$ 1,93 bilhão para comprar os outros 50% de Pasadena e ficar
com a refinaria todinha para si. Detalhe: em 2007, o conselho vetara tal aquisição.
O que significa dizer que a estatal possivelmente acabou pagando bem mais caro
pelo naco que se viu obrigada a adquirir cinco anos depois, por força de um
contrato mal feito.
Resumo da ópera: a Petrobras gastou R$ 2,8 bilhões na compra de uma refinaria
de petróleo que antes valia R$ 100 milhões. A assinatura de Dilma Vana Rousseff,
na condição de presidente do principal órgão de governança da companhia, está
em todos os papéis que deram origem a esta ruína disfarçada de negócio, quando a
primeira metade de Pasadena foi comprada.
Além da participação direta e do aval de Dilma à transação na época, a
reportagem do Estadão traz como
grande novidade a justificativa dada pela hoje presidente da República para ter
aposto sua rubrica nos papéis que selaram a operação. Conforme sustenta em nota oficial, a então presidente do Conselho de Administração da Petrobras conduziu a
aprovação do negócio com base num resumo “técnica e juridicamente falho” e em “informações
incompletas”.
É difícil saber o que é pior: a emenda ou o soneto. Ou, quem sabe, todo o
poema de rima pobre que Dilma Rousseff rabisca... Quantas outras tantas
decisões equivocadas foram tomadas nos sete anos em que, como presidente de seu
conselho de administração, ela deveria ter zelado pela saúde da Petrobras e pela
preservação de um patrimônio de todos os brasileiros?
O tal resumo executivo no qual Dilma baseou-se sem ler para assinar a aprovação
da compra de Pasadena foi preparado pela diretoria internacional da Petrobras. Mas
o mau negócio não foi suficiente para desabonar o responsável pelo documento:
Nelson Cerveró, que então respondia por aquela diretoria da estatal, hoje é
diretor financeiro da BR Distribuidora. Belo prêmio de consolação e uma
indicação de que o governo petista se lixou para a lambança.
Dilma não votou sozinha. Outros próceres do PT que ocupavam vagas no conselho,
como Antonio Palocci, Jaques Wagner e Sergio Gabrielli, aprovaram por
unanimidade a operação. Segundo o Relatório Anual da Petrobras de 2006, a intenção era aplicar mais US$ 2 bilhões em
Pasadena, para dobrar sua capacidade de refino. Nada, porém, foi investido e o
dinheiro acabou sendo torrado na operação ruinosa.
Em seu balanço de 2012, a Petrobras reconheceu perda de US$ 465 milhões
em função da mal sucedida transação nos EUA. Esta maracutaia disfarçada de
negócio já é alvo de investigações por parte da Polícia Federal, do Tribunal de
Contas da União, do Ministério Público e do Congresso, provocadas por
requerimentos apresentados pelo PSDB.
É de se imaginar quantos papéis Dilma continua firmando sem conhecer,
quantas decisões continua tomando sem pensar. Até nisso, a atual presidente da
República poderá sempre alegar que se inspirou em seu mentor: afinal, Luiz
Inácio Lula da Silva sempre recorria ao “não sabia” quando se via em maus
lençóis. Como é um pouco mais arrogante, Dilma poderá dizer que assina muita
bobagem, mas não lê.
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